quinta-feira, 17 de março de 2022

35º CARIJO - INSCRIÇÕES ATÉ 15 DE ABRIL

Depois de dois anos de pandemia - sem realização presencial - o Carijo da canção Gaúcha vai promover a sua 35ª edição entre os dias 25 e 29 de maio, no Parque de Exposições Tealmo Schardong, em Palmeira das Missões.
Tanto o Carijo, quanto o Carijinho e também o tradicional acampamento da cidade de lona, voltarão a ser promovidos com presença de público, seguindo normas sanitárias contra o coronavírus. Além disso, neste ano será lançado um festival de dança tradicionalista, envolvendo os CTGs do estado.
Todas as atividades serão gratuitas, já que o financiamento do evento se dará através da Lei Rouanet e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, além de recursos próprios da Prefeitura.
A produção do Carijo está à cargo de três produtoras culturais, que tem por função garantir a execução das atividades, seguindo as orientações deliberadas pela Comissão Organizadora do evento - a qual segue no comando técnico e cultural do Carijo.
Como de costume, também acontecerão apresentações de artistas do cenário nacional e regional.
No Palco Paralelo as atrações são Patrick e Davi; Iberê Martins; Jairo Lambari; Grupo Rodeio e Los Companheiros.
Já no Palco Principal estão confirmados Yangos e Lucio Yanel; Chiquito e Bordoneio; Quarteto Coração de Potro e Família Guedes.
O show de encerramento fica por conta da dupla Kleiton e Kledir.
A noite do dia 25 será dedicada exclusivamente para o Carijinho da Cancão Gaúcha, festival infantojuvenil que volta repaginado: além das categorias Piá e Piazote, uma nova faixa etária será incluída dando origem a categoria Piazito.
Além dos intérpretes concorrentes, haverá o show de abertura de Tuny Brum e show do intervalo com Julia Antonini.
A Fase Local terá sua triagem realizada de forma presencial, com apresentações ao público no Anfiteatro do Centro Cultural.
O início da venda dos terrenos para o acampamento será anunciado nas próximas semanas.

As inscrições para o Carijo, Carijinho e Festival de Dança, podem ser encaminhadas até o dia 15 de abril.

Os regulamentos do 35º Carijo e do 19º Carijinho podem ser acessados, clicando nos links a seguir:

35º Carijo da Canção Gaúcha:

19º Carijinho da Canção Gaúcha:

Fonte: Blog dos Festivais

Mario Quintana – poemas

Mario Quintana

Das utopias

Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

– Mario Quintana, do livro “Espelho mágico”, 1945-1951.

§

Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

– Mario Quintana, do livro “Esconderijos do tempo”, 1980.

§

A verdadeira arte de viajar

A gente sempre deve sair à rua
como quem foge de casa
Como se estivessem abertos diante de nós
todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos,
as obrigações, estejam ali…

Chegamos de muito longe,
de alma aberta e o coração cantando!

– Mario Quintana, do livro “A cor do invisível”, 1989.

§

Da observação

Não te irrites, por mais que te fizerem…
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio…

– Mario Quintana, do livro “Espelho mágico”, 1945-1951.

§

A canção da vida

A vida é louca
a vida é uma sarabanda
é um corrupio…
A vida múltipla dá-se as mãos como um bando
de raparigas em flor
e está cantando
em torno a ti:
Como eu sou bela
amor!
Entra em mim, como em uma tela
de Renoir
enquanto é primavera,
enquanto o mundo
não poluir
o azul do ar!
Não vás ficar
não vás ficar
aí…
como um salso chorando
na beira do rio…
(Como a vida é bela! como a vida é louca!)

– Mario Quintana, do livro “Esconderijos do tempo”, 1980.

§

Bilhete

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…

– Mario Quintana, do livro “Esconderijos do tempo”, 1980.

§

Seiscentos e sessenta e seis

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ªfeira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

– Mario Quintana, do livro “Esconderijos do tempo”, 1980.

§

Nos salões do sonho

Mas vocês não repararam, não?!
Nos salões do sonho nunca há espelhos…
Por quê?
Será porque somos tão nós mesmos
Que dispensamos o vão testemunho dos reflexos?
Ou, então
– e aqui começa um arrepio –
Seremos acaso tão outros?
Tão outros mesmos que não suportaríamos a visão daquilo,
Daquela coisa que nos estivesse olhando fixamente do outro lado,
Se espelhos houvesse!
Ninguém pode saber… Só o diria
Mas nada diz,
Por motivos que só ele conhece,
O misterioso Cenarista dos Sonhos!

– Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.

§

Ah! Os relógios

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológicos…

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida – a verdadeira –
em que basta um momento de Poesia
para nos dar a eternidade inteira.


Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os anjos entreolham-se espantados
quando alguém – ao voltar a si da vida –
acaso lhes indaga que horas são…

– Mario Quintana, do livro “A Cor do invisível”, 1989.

§

O vento e eu

O vento morria de tédio
Porque apenas gostava de cantar
Mas não tinha letra alguma para a sua própria voz,
Cada vez mais vazia…

Tentei então compor-lhe uma canção
Tão comprida como a minha vida
E com aventuras espantosas que eu inventava de súbito,
Como aquela em que menino eu fui roubado pelos ciganos
E fiquei vagando sem pátria, sem família, sem nada neste vasto mundo…
Mas o vento, por isso
Me julga agora como ele…
E me dedica um amor solidário, profundo!

– Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.

§

Os arroios

Os arroios são rios guris…
Vão pulando e cantando dentre as pedras.
Fazem borbulhas d’água no caminho: bonito!
Dão vau aos burricos,
às belas morenas,
curiosos das pernas das belas morenas.
E às vezes vão tão devagar
que conhecem o cheiro e a cor das flores
que se debruçam sobre eles nos matos que atravessam
e onde parece quererem sestear.
Às vezes uma asa branca roça-os, súbita emoção
como a nossa se recebêssemos o miraculoso encontrão
de um Anjo…
Mas nem nós nem os rios sabemos nada disso.
Os rios tresandam óleo e alcatrão
e refletem, em vez de estrelas,
os letreiros das firmas que transportam utilidades.
Que pena me dão os arroios,
os inocentes arroios…

– Mario Quintana, do livro “Baú de espantos”, 1986.

§

Poeminha sentimental

O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas…
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.

– Mario Quintana, do livro “Preparativos de viagem”, 1987.

§

Noturno

De noite todos os meus pensamentos são escuros
E todas as palavras têm a letra “u”
Rude
Virtude
Cruzes!
Até mesmo, Bandeira, teu “sapo-cururu da beira do rio”!
Não me digam que o melhor é acender todas as luzes!
Odeio a luz elétrica e todas as luzes artificiais.
A gente repousa na escuridão como num ventre maternal.
E o melhor enredo para isso tudo
É me atirar de súbito num açude
Seco!

– Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.

§

Eu escrevi um poema triste

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza…
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel…
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves…
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

– Mario Quintana, do livro “A Cor do invisível”, 1989.

§

Obsessão do mar oceano

Vou andando feliz pelas ruas sem nome…
Que vento bom sopra do Mar Oceano!
Meu amor eu nem sei como se chama,
Nem sei se é muito longe o Mar Oceano…
Mas há vasos cobertos de conchinhas
Sobre as mesas… e moças na janelas
Com brincos e pulseiras de coral…
Búzios calçando portas… caravelas
Sonhando imóveis sobre velhos pianos…
Nisto,
Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,
E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,
De su’alma perdida e vaga na neblina…
Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!
Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,
Uma caixa de música
Uma bússola
Um mapa figurado
Uns poemas cheios de beleza única
De estarem inconclusos…
Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!
E eu nem sei, eu nem sei como te chamas…
Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,
Quando eu também já não tiver mais nome.

– Mario Quintana, do livro “O Aprendiz de feiticeiro”, 1950.

§

Confissão

Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece…
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!

– Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.

§

Os velhinhos

Como os velhinhos – quando uns bons velhinhos
São belos, apesar de tudo!
Decerto deve vir uma luz de dentro deles…
Que bem nos faz sua presença!
Cada um deles é o próprio avô
Daquele menininho que durante a vida inteira
Não conseguiu jamais morrer dentro de nós!

– Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.

§

Gramática da felicidade

Vivemos conjugando o tempo passado (saudade, para os românticos)
e o tempo futuro (esperança para os idealistas). Uma gangorra,
como vês, cheia de altos e baixos — uma gangorra emocional.
Isso acaba fundindo a cuca de poetas e sábios e maluquecendo de
vez o homo sapiens. Mais felizes os animais, que, na sua gramática
imediata, apenas lhes sobra um tempo: o presente do indicativo.
E nem dá tempo para suspiros…

– Mario Quintana, do livro “A vaca e o hipogrifo”, 1977.

§

As mãos de meu pai

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já da cor da terra
– como são belas as tuas mãos
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da nobre
cólera dos justos…
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza
que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços
da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas…
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los
contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das
tuas mãos!
E é, ainda, a vida que transfigura das tuas mãos
nodosas…
essa chama de vida – que transcende a própria vida
…e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.

– Mario Quintana, do livro “Esconderijos do tempo”,1980.

§

Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…

– Mario Quintana, do livro “Nova Antologia Poética – Mario Quintana”, São Paulo: Editora Globo, 1998, p. 118.

§

Madrigal

Tu és a matéria plástica de meus versos, querida…
Porque, afinal,
Eu nunca fiz meus versos propriamente a ti:
Eu sempre fiz versos de ti!
– Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.

§

Estranhas aventuras da infância

Era um caminho tão pequenino
Que nem sabia aonde ia,
Por entre uns morros se perdia
Que ele pensava que eram montanhas…

Enquanto a tarde, lenta, caía,
Aflitamente o procuramos.
Sozinho assim, aonde iria?
Porém, deixamos para um outro dia…

Perdido e só, nós o deixamos!

E quando, enfim, ali voltamos
Já nada havia, só ervas más…
Tão vasto e triste sentiste o mundo
Que te achegaste, desamparada…

E foi bem juntos que regressamos,
Ombro com ombro, a mão na mão,
Enquanto, lenta, caía a tarde
E nos espiava a bruxa negra…

E nos seguia a bruxa negra
Que hoje se chama Solidão!

– Mario Quintana, do livro “Baú de espantos”, 1986.

§

Inquietude

Esse olhar inquisitivo que me dirige às vezes nosso próprio cão…
Que quer ele saber que eu não sei responder?
Sou desse jeito… Vivo cercado de interrogações.
Dinheiro que eu tenha, como vou gastá-lo?
E como fazer para que não me esqueças?
(ou eu não te esqueça…)
Sinto-me assim, sem motivo algum,
Como alguém que estivesse comendo uma empada de camarão sem
camarões
Num velório sem defunto…
– Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.

§

O tamanho da gente

O homem acha o Cosmos infinitamente grande
E o micróbio infinitamente pequeno.
E ele, naturalmente,
Julga-se do tamanho natural…
Mas, para Deus, é diferente:
Cada ser, para Ele, é um universo próprio.
E, a Seus olhos, o bacilo de Koch,
A estrela Sírius e o Prefeito de Três Vassouras
São todos infinitamente do mesmo tamanho…

– Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.

§

XIX

“Minha morte nasceu quando eu nasci.
Despertou, balbuciou, cresceu comigo…
E dançamos de roda ao luar amigo
Na pequena rua em que vivi.

Já não tem mais aquele jeito antigo
De rir e que, ai de mim, também perdi!
Mas inda agora a estou sentindo aqui,
Grave a boa, a escutar o que lhe digo:

Tu que és minha doce Prometida,
Nem sei quando serão as nossas bodas,
Se hoje mesmo… ou no fim de longa vida…

E as horas lá se vão, loucas ou tristes…
Mas é tão bom, em meio às horas todas,
Pensar em ti… saber que tu existes!”

– Mario Quintana, do livro “A Rua dos cataventos”, 1940.

§

Quando eu me for

Quando eu me for, os caminhos continuarão andando…
E os meus sapatos também!
Porque os quartos, as casas que habitamos,
Todas, todas as coisas que foram nossas na vida
Possuem igualmente os seus fantasmas próprios,
Para alucinarem as nossas noites de insônia!

– Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.

§

Leia mais sobre Mario Quintana:

“Aqui eu te amo” – Pablo Neruda

 

Poema XVIII

Aqui eu te amo.

Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforece a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.

Descinge-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.

Ou a cruz negra de um barco.
Só.
As vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.

Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo a onde não chegam.


Já me creio esquecido como estas velha âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta..
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.

Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.

Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento,
querem cantar o teu nome, com suas folhas de cobre.

Marc Chagall. The Birthday. 1915

Poema XVIII (18)

Aquí te amo.

En los oscuros pinos se desenreda el viento.
Fosforece la luna sobre las aguas errantes.
Andan días iguales persiguiéndose.


Se desciñe la niebla en danzantes figuras.
Una gaviota de plata se descuelga del ocaso.
A veces una vela. Altas, altas estrellas.

O la cruz negra de un barco.
Solo.
A veces amanezco, y hasta mi alma está húmeda.
Suena, resuena el mar lejano.
Este es un puerto.
Aquí te amo.

Aquí te amo y en vano te oculta el horizonte.
Te estoy amando aún entre estas frías cosas.
A veces van mis besos en esos barcos graves,
que corren por el mar hacia donde no llegan.

Ya me veo olvidado como estas viejas anclas.
Son más tristes los muelles cuando atraca la tarde.
Se fatiga mi vida inútilmente hambrienta.
Amo lo que no tengo. Estás tú tan distante.


Mi hastío forcejea con los lentos crepúsculos.
Pero la noche llega y comienza a cantarme.
La luna hace girar su rodaje de sueño.

Me miran con tus ojos las estrellas más grandes.
Y como yo te amo, los pinos en el viento, quieren cantar tu nombre con sus hojas de alambre.

– Pablo Neruda, Cem sonetos de amor. tradução Carlos Nejar. Porto Alegre: L&PM Edições, 1987. (en “20 poemas de amor y una cancion desesperada” – 100 sonetos de amor”).

Fonte: Revista Prosa Verso e Arte

quarta-feira, 16 de março de 2022

Rui Barbosa – ‘O bem e o mal’ e ‘O reino da mentira’


Rui Barbosa 

“Uma impregnação tal das consciências pela mentira, que se acaba por se não discernir a mentira da verdade, que os contaminados acabam por mentir a si mesmos, e os indenes, ao cabo, muitas vezes não sabem se estão, ou não estão mentindo.” – Rui Barbosa

Leia abaixo três breves conferências e um discurso do escritor e orador Rui Barbosa. Instigantes e reflexivos, boa leitura!

O bem e o mal

O mal nunca venceu o bem, senão usurpando a este o necessário para o iludir, o arredar, o adormecer, o fraudar, o substituir, o vencer.

Se a injustiça, a mentira, o egoísmo, a cobiça, a rapacidade, a grosseria d’alma, a baixeza moral, a inveja, o rancor, a vingança, a traição, aparecessem nus e desnudos aos olhos do indivíduo, aos olhos do povo, aos olhos da sociedade, aos olhos do mundo, ninguém preferiria o mal ao bem, e o bem não se veria jamais desterrado pelo mal.


Mas o mal, e sobretudo o mal político, a terrível avariose brasileira, é essencialmente falso, falsídico, falsificador e refalsado. Sutil, sonso e sotrancão, alonga a cara triste e severa, baixa o olhar incerto e divergente, engrossa o falsete, azeita a rispidez, varia o furta-cor da palavra insidiosa, fala todos os idiomas da mentira, pratica a sedução com os pequenos, com os grandes a baixeza, a arrogância com os humildes, com os poderosos a servilidade, envolve nas atitudes da nobreza os sentimentos da prostituição, e, professando não denotar nunca o que sente, não mostrar jamais o que faz, o chocalho nas mãos para a impostura, nos ombros, até a barba, a capa da traição, na cabeça, desabado para o rosto, o feltro das aventuras, com botas de sete léguas, foge do merecimento, da justiça, da honra, da lealdade; e, se pudera vender-se a si mesmo, atraiçoando a própria natureza, a si mesmo se vendera, como vendeu o Cristo para não desmentir a fatalidade da sua sina. (1)

O reino da mentira

Mentira toda ela. Mentira de tudo, em tudo e por tudo. Mentira na terra, no ar, até no céu, onde, segundo o padre Vieira (que não chegou a conhecer o sr. Urbano Santos), o próprio sol mentia ao Maranhão, e direis que hoje mente ao Brasil inteiro. Mentira nos protestos. Mentira nas promessas. Mentira nos programas. Mentira nos projetos. Mentira nos progressos. Mentira nas reformas. Mentira nas convicções. Mentira nas transmutações. Mentira nas soluções. Mentira nos homens, nos atos e nas coisas. Mentira no rosto, na voz, na postura, no gesto, na palavra, na escrita. Mentira nos partidos, nas coligações e nos blocos. Mentira dos caudilhos aos seus apaniguados, mentira dos seus apaniguados à nação. Mentira nas instituições. Mentira nas eleições. Mentira nas apurações. Mentira nas mensagens. Mentira nos relatórios. Mentira nos inquéritos. Mentira nos concursos. Mentira nas embaixadas. Mentira nas candidaturas. Mentira nas garantias. Mentira nas responsabilidades. Mentira nos desmentidos. A mentira geral. O monopólio da mentira. Uma impregnação tal das consciências pela mentira, que se acaba por se não discernir a mentira da verdade, que os contaminados acabam por mentir a si mesmos, e os indenes, ao cabo, muitas vezes não sabem se estão, ou não estão mentindo. Um ambiente, em suma, de mentiraria, que, depois de ter iludido ou desesperado os contemporâneos, corre o risco de lograr ou desesperar os vindouros, a posteridade, a história, no exame de uma época, em que à força de se intrujarem uns aos outros, os políticos, afinal, se encontram burlados pelas suas próprias burlas, e colhidos nas malhas da sua própria intrujice, como é precisamente agora o caso. (2)


A lei de Caim

A lei de Caim é a lei do fratricídio. A lei do fratricídio é a lei da guerra. A lei da guerra é a lei da força. A lei da força é a lei da insídia, a lei do assalto, a lei da pilhagem, a lei da bestialidade. Lei que nega a noção de todas as leis, lei de inconsciência, que autoriza a perfídia, consagra a brutalidade, agaloa a insolência, eterniza o ódio, premeia o roubo, coroa a matança, organiza a devastação, semeia a barbaria, assenta o direito, a sociedade, o Estado no princípio da opressão, na onipotência do mal. Lei de anarquia, que se opõe à essência de toda a legalidade substituindo a regra pelo arbítrio, a ordem pela violência, a autoridade pela tirania, o título jurídico pela extorsão armada. Lei animal, que se insurge contra a existência de toda a humanidade, ensinando o homicídio, propagando a crueza, destruindo lares, bombardeando templos, envolvendo na chacina universal velhos, mulheres e crianças. Lei de torpeza, que proscreve o coração, a moral e a honra, misturando a morte com o estupro, a viuvez com a prostituição, a ignomínia com a orfandade. Lei da mentira, na falsa história que escreve, nos falsos pretextos que invoca, na falsa ciência que explora, na falsa dignidade que ostenta, na falsa bravura que assoalha, nas falsas liberdades que reivindica, fuzilando enfermeiras, atacando hospitais, metralhando povoações desarmadas, incendiando aldeias, bombardeando cidades abertas, minando as estradas navais do comércio, submergindo navios mercantes, canhoneando tripulações e passageiros refugiados nas lanchas de salvamento, abandonando as vítimas da cobardia das suas proezas marítimas aos mares revoltos e aos frios dos invernos boreais. Lei do sofisma, lei da inveja, lei da carniçaria, lei do instinto sanguinário, lei do homem brutificado, lei de Caim. (3)


A paixão da verdade

A paixão da verdade semelha, por vezes, as cachoeiras da serra. Aqueles borbotões d’água, que rebentam e espadanam, marulhando, eram, pouco atrás, o regato que serpeia, cantando pela encosta, e vão ser, daí a pouco, o fio de prata que se desdobra, sussurrando, na esplanada. Corria murmuroso e descuidado; encontrou o obstáculo: cresceu, afrontou-o, envolveu-o, cobriu-o e, afinal, o transpõe, desfazendo-se em pedaços de cristal e flocos de espuma. A convicção do bem, quando contrariada pelas hostilidades pertinazes do erro, do sofisma ou do crime, é como essas catadupas da montanha. Vinha deslizando, quando topou na barreira, que se lhe atravessa ao caminho. Então remoinhou arrebatada, ferveu, avultando, empinou-se, e agora brame na voz do orador, arrebata-lhe em rajadas a palavra, sacode, estremece a tribuna, e despenha-se-lhe em torno, borbulhando.

Mas o que ela contém, e a impele, e a revolta, não é cólera, não é destruição, não é maldade: é o poder do pensamento, a vibração da fé, a energia motriz das almas, esse fluido impalpável que se transporta nas ondas invisíveis do ambiente, e vai, por outras regiões, arder nos espíritos, fulgurar nas trevas humanas, abalar vontades, agitar indivíduos e povos, reanimados ao seu contacto, como os mais maravilhosos instrumentos da indústria, os teares, as forjas, os estaleiros, acordam ao influxo dessa eletricidade silenciosamente bebida, léguas e léguas daí, por um fio de cobre aéreo, nas quedas sonoras do rio. Enquanto, porém, essa transmissão imperceptível opera ao longe maravilhas, renovando a atividade às civilizações, derramando vida pela superfície da Terra, a correnteza precipitada, que acabou de enviar à distância essas descargas da grande força, volve, pouco adiante, ao remanso ordinário do curso, perdendo-se entre as devesas do monte e as alfombras da pradaria.


As revoltas da consciência contra as más causas, ainda contra as piores, não azedam um coração desinteressado. O meu tem atravessado as maiores procelas políticas, às vezes soçobrado, ferido, sangrando no entusiasmo e na esperança, mas sem fel. Não seria este novo encontro, embora duro e violento, com a mentira política, a velha corrutora dos nossos costumes, a sabida arruadeira das cercanias do poder, a pimpona rixadora do grande mercado, que me induzisse a esquecer, para com as pobres criaturas por ela contaminadas, a lição divina da caridade. Antes de político me prezo eu de ser cristão. Não sei odiar os homens, por mais que deles me desiluda. O mal é inexorável, pela consciência de ser caduco. O bem, paciente e compassivo, pela certeza da sua eternidade. (4)

***

“Da vitória do bem não duvidei jamais, porque nunca me vacilou a crença na vossa justiça.”
– Rui Barbosa, em discurso “A mão do Senhor” 
________

(1) Rui Barbosa, Conferência na Associação Comercial do Rio de Janeiro, em 8 de março de 1919, e que se intitula Às classes conservadoras (Rui Barbosa, Campanha presidencial, 1919, p. 60-61).
(2) Rui Barbosa, Conferência proferida na Associação Comercial do Rio de Janeiro, em 8 de março de 1919, por ocasião da campanha presidencial em que teve como antagonista o senador Epitácio Pessoa. Rui venceu em todas as grandes capitais e cidades do Brasil. (Campanha presidencial, Bahia, 1921, p. 77-78).
(3) Rui Barbosa, Conferência em benefício da Cruz Vermelha dos Aliados, em 17 de março de 1917, no Teatro Petrópolis. (Conferência do senhor Rui Barbosa no Teatro Petrópolis, Londres, 1917, p. 5) .
(4) Rui Barbosa, (Discurso no Cassino de São Paulo, em 16 de dezembro de 1909, por ocasião da campanha civilista. (Excursão Eleitoral ao Est. de S. Paulo, 1909, p 93)
(5) Rui Barbosa, Discurso de 11 de agosto de 1918, agradecendo as festas do jubileu, após a missa campal na praça de S. Cristóvão. (Estante Clássica da Rev. de Língua Port., Rio, 1920, p. 198, vol. I)


Do livro “Antologia – Rui Barbosa”. [seleção, prefácio e notas de Luís Viana Filho]. Ed. especial/Saraiva de bolso. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012.

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Sobre o autor

Rui Barbosa (Rui Barbosa de Oliveira), advogado, jornalista, jurista, político, diplomata, ensaísta e orador, nasceu em Salvador, BA, em 5 de novembro de 1849, e faleceu em Petrópolis, RJ, em 10 de março de 1923. Membro fundador, escolheu Evaristo da Veiga como patrono da cadeira nº. 10 da Academia Brasileira de Letras.

Em 1870, formou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo. Eleito deputado geral, fixou-se em 1879 no Rio de Janeiro, onde, a partir da proclamação da República, se tornou uma das figuras preeminentes da vida política do país. Foi o autor do projeto da constituição republicana apresentado à Assembleia Constituinte em 1890. Exilou-se na Inglaterra quando se instalou o governo ditatorial de Floriano Peixoto, e de lá enviou para o Brasil os artigos reunidos nas Cartas de Inglaterra (1896). De volta ao país, em 1895, foi eleito senador pelo estado da Bahia, cargo que ocupou até ao fim da vida.

Por sua brilhante atuação na Segunda Conferência Internacional da Paz, em 1907, ficou conhecido como “Águia de Haia”. Fundador da cadeira nº 10 da Academia Brasileira de Letras, distinguiu-se como grande orador e escritor prolífico. Escreveu um dos seus mais famosos discursos — Oração aos moços (1920) — como paraninfo dos formandos da Faculdade de Direito de São Paulo. Suas Obras completas, organizadas pela Casa de Rui Barbosa, chegam a 137 tomos.

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Leia mais sobre Rui Barbosa

Fonte: https://www.revistaprosaversoearte.com/

Milonga no Sul - Mironga no centro - o que vale é conhecer!

Presente nos países da pampa sulina, seja em danças de pares enlaçados, seja como ritmo para acompanhar payadas e narrativas, a milonga tem modos de expressão muito diversos. Gênero poético, acompanha gaúchos há tempos e carrega uma história ligada à filosofia do modo de vida campeiro mais simples. Para desvendá-la, conversei com Raul Ellwanger, músico e pensador do nosso chão.

“Milonga é um gênero poético-musical-filosófico típico da pampa da bacia do Prata. Filosofa sobre as penas do campeiro pobre, sem-terra, vítima do fazendeiro e do delegado, do chamado gaúcho, quando essa palavra ainda era pejorativa. Ritmo lento, soturno, quase falado, muito emotivo, individualista, com forma poética bem estabelecida. Quase sempre em modo menor, sempre com síncope obrigatória no sexto grau menor”, começa definindo Ellwanger. O músico e compositor porto-alegrense, autor, dentro outros clássicos, de “Pialo de sangue”, descreve sua própria história como “pura milonga”. Pois este fazer musical, que passou por transformações com o correr dos anos, em sua raiz é uma expressão cultural daqueles que menos tem voz – mas que cantam.

PALAVRA AFRICANA

Melunga, palavra de derivação africana, tornou-se “milonga” por volta de 1829, que significa “muitas palavras”. “No Rio de Janeiro e na Bahia, se diz ‘mirongueiro’ de quem é ‘enrolador’”, diz Raul, citando “Tonga da mironga do kabuletê”, de Vinicius de Morais. “Em Porto Alegre, se diz ‘milongueiro’, ‘cheio de milongas’. Nas cidades da bacia do Prata, ao sul, designa também o baile para dançar tango e milonga arrabalera, que é outro gênero diferente da milonga campeira. Se convida: ‘vamos a uma milonga?’”. Nas trovas de Bartolomé Hidalgo, recolhidas nas trincheiras de Montevidéu nos anos 20 do séc. XIX, já se vê a milonga, que se tornou um ritmo integrador da cultura musical dos três países pampianos – Argentina, Uruguai e Brasil, onde é típico do Rio Grande do Sul.


PELOS CAMINHOS

Registros apontam que surgiu na Andaluzia espanhola a partir da habanera cubana, que, por sua vez, veio de ritmos africanos. Na Europa, passou por alterações e voltou às Américas com os colonizadores. Popularizou-se no final do séc. XIX nos subúrbios de Montevidéu, Uruguai, e Buenos Aires, Argentina. Lá, foi absorvida pelo tango, mas sobreviveu como gênero musical independente cantado ao violão. “Em Montevidéu e Buenos Aires, é dança popular, às vezes estilizada para turistas, confundida com o tango”, conta Raul.

“A estrutura harmônica é ‘europeia’, de harmonia convencional. As melodias por graus conjuntos, ou mesmo melismáticas, são andaluzas, portanto europeias e berberes/muçulmanas. Creio também que a ‘filosofia’ típica de suas letras melancólicas tem a ver com o criollo mestizo, com sangue predominantemente guarani e charrua, com a tristeza do oprimido. O baixo levado numa síncope sobre o sexto grau menor é tipicamente andaluz”, explica. Na cultura gaucha, compartilhada entre os países platinos, a milonga ocupa uma posição importante “como expressão filosófica e poética, além de musical”, diz Ellwanger. “De uma franja da população, a dos desvalidos, com a pobre ferramenta de um rústico instrumento (a vihuela). Veja-se o Martín Fierro (livro de José Hernández), com suas sextilhas clássicas.”


NO RIO GRANDE

No RS, ela chega através de diferentes povos – brancos, negros, nativos. Raul acredita que deve ter se disseminado antes da era do rádio. “Na era discográfica, não foi muito popular. Era música galponeira, de relaxamento no fim do dia. Meu avô missioneiro, e o pai do Jerônimo Jardim também, tocavam milonga: com só dois dedos em cada mão, com só dois acordes. Bastava. Foi, e é, uma linguagem da fronteira oeste com a Argentina e da fronteira sul com o Uruguai”.

Ao chegar ao estado, o gênero passou por uma variação, adquirindo, pode-se dizer, características misturadas às regionais. “Nos primeiros 60 anos do séc. XX, o interior do estado escutava as rádios argentinas. Imaginemos o boom do tango e da milonga arrabalera influenciando os músicos. Então aqui, e só aqui no RS, surgiu uma forma musical rápida, dançante, alegre, em modo maior, com letra animada: tudo ao contrário da milonga campeira, mas descendente da milonga arrabalera portenha (que é muito rápida, usada para exibições dos bailarinos, tem letras pícaras, pode ter modo maior, não obriga o uso da síncopa no sexto grau). Eu mesmo tenho ‘Milonga’, no disco ‘Gaudério’, que eu subtitulo como ‘limpa banco’ (para dançar). Mas a confusão está feita.”

Assim, o gênero passou a ter estilos e modos de expressão abertos, como explica Raul: milonga campeira, lenta e meditativa, típica de payadas e histórias cantadas; milonga arrabalera, vivaz e urbana na Argentina, e milonga rio-grandense, que anima bailes, intercalando passos de polca com o de marcha – o famoso “dois e um” no contexto da dança gaúcha de salão, como dança de pares independentes e enlaçados, de ritmo binário.


ARRABALERA, CAMPEIRA, RIO-GRANDENSE

“A milonga arrabalera é chamada ‘mãe’ do tango, assim como a campeira é a ‘avó’. Esta entrou na cidade pelos subúrbios, galpões, prostíbulos, dançada de modo lascivo por gente pobre e de maus costumes. Seu símbolo é o compadrito de navalha e o lenço no pescoço, ou a moça com a perna trançada ao parceiro, apertando seu púbis – como o samba, ‘golpe de púbis’, sambê. Por isso é ‘arrabalera’, suburbana, de arrabalde. Seu desfrute como lazer, seu encanto coreográfico e sua funcionalidade no galanteio foram chegando ao centro, às elites, que só a admitiram depois que fez sucesso no vodevil parisiense.” Ele sugere comparar “El arriero”, de Ataualpa Yupanqui, com “Farolito”, de Julio Sosa – são diferentes.

Raul destaca, na milonga campeira do estado, o nome de Noel Guarany como o mais consistente. Aqui, a milonga é importante enquanto raiz – “uma raiz profunda, como a umidade que se espalha por toda a base de um lote”. Com as características básicas do gênero, é até pouco visível hoje, mas ressurge em novos formatos, muitos fazendo reverência à milonga campeira. Raul cita sua “Quero te ver liberdade”, do primeiro “Musicanto”, e “¿Que se passa?”, no disco “Paralelo 30” de Bebeto Alves.

Texto da jornalista Letícia Garcia para o Jornal do Mercado

Pajada ou Payada - Poesia Pampeana

Pajador Pedro Junior da Fontoura - Foto: Djalma Corrêa Pacheco

Pajada, no original espanhol payada, é poesia pampiana. Improvisada em décimas, fala de campo e de temas sociais, com raízes na oralidade e carregada de opinião. No Rio Grande do Sul, foi difundida por Jayme Caetano Braun, que se tornou inspiração para um movimento pajadoril que cresce no estado.


CULTURA GAÚCHA, por Letícia Garcia

A pajada é tão sulina que, em 2015, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) elegeu-a como o primeiro Patrimônio Cultural Imaterial do Mercosul. No Brasil, é exclusiva do Sul, por onde se estende o pampa, que carrega uma cultura compartilhada pelos povos platinos. No Norte e Nordeste do país, existe o repente, que se assemelha mas traz características diferentes da pajada. “A pajada é sempre em décimas, são 10 versos com a seguinte estrutura de rimas: ABBAACCDDC, ou seja, são quatro rimas intercaladas. Os versos são todos setessilábicos, com acentuação na sétima sílaba tônica, uma redondilha maior. O primeiro verso a ser pensado é o último, para encerrar bem”, explica Pedro Júnior Lemos da Fontoura, professor de Literatura, músico e declamador premiado. Pedro é autor de diversas obras fonográficas e literárias, como o mais recente livro “Constelação de fonemas”, e é um experiente pajador, que já viajou a diversos países para divulgar essa arte.



MARTÍN FIERRO

O formato característico da pajada surgiu na Idade Média com o poeta Vicente Espinel, na Espanha. Na colonização, a pajada veio com os espanhóis e se estendeu até o Rio Grande pelos países vizinhos, onde passou por adaptações. A origem do termo não é bem certa. Pedro cita os escritos de Paulo de Freitas Mendonça em ABC do Gaúcho: pode ter vindo de “payo”, que identificava os habitantes de Castela, de “pago”, lugar onde se nasce, ou de “palla”, do quíchua para denominar cantorias em praças. “Martín Fierro” (1872), de José Hernández, é uma das maiores referências do gênero, que faz menção o tempo inteiro à figura do pajador, “o homem que canta livre”. “O ‘Martín Fierro é todo em sextilha, mas é como os seis últimos versos da pajada, numa estrutura próxima”, explica Pedro. No RS, existem textos escritos em décimas desde antes da Revolução Farroupilha — o professor cita o nome de Vicente da Fontoura. Mas a pajada pode ser até anterior a isso e não ter registros, devido à sua marca principal: o improviso na hora da declamação.



IMPROVISAÇÃO

“Para argentinos e uruguaios, a pajada é só o momento do improviso – a não ser que aquele improviso seja reescrito. É como se fosse a literatura do Ultrarromantismo, emoção pura. Eles não se permitem ajustes, porque seria trabalhar com a razão e trair a emoção do momento. Quando isso acontece, está se ‘escrevendo em décimas’, não pajando, apesar de ser a mesma estrutura”, conta Pedro. Nos encontros, comuns na Argentina e no Uruguai, as pajadas acontecem em duplas, um respondendo aos versos do outro, o que se chama “contraponto”. Em muitas apresentações, o público sugere na hora os temas a serem improvisados no palco. Apesar desses fatos, aqui no RS, popularmente, o termo identifica também o improviso individual feito em décimas, assim como os poemas escritos.


CANTAR OPINANDO

Acontecem outras mudanças na pajada ao se cruzar a fronteira. Nas apresentações dos vizinhos pampianos, o próprio pajador acompanha sua décima com o violão e improvisa cantando. Chilenos acrescentam outros instrumentos, cubanos incluem tambores. No RS, os pajadores são acompanhados por um guitarrero, no violão, em ritmo de milonga, e é só aqui que a improvisação é recitada. Uma característica comum, no entanto, é cantar livremente e opinando. Pedro destaca as marcas dos pajadores: “ter posições firmes, cantar para opinar, com uma intenção não apenas de fazer as pessoas se divertirem, mas sim de fazê-las refletir sobre uma situação”. No Chile, os temas pendem para o humor, enquanto na Argentina e Uruguai têm forte peso na questão política — inclusive, nas épocas de ditadura militar, muitos pajadores foram exilados ou presos políticos por seus versos.


EL PAYADOR

O grande divulgador da pajada no RS foi Jayme Caetano Braun. Natural de Bossoroca, despontou nos anos 1960 e foi um dos quatro troncos missioneiros da cultura regional. Trouxe para cá a pajada inspirado pelo uruguaio José Francisco dos Santos Silveira. Falava sobre a terra, as injustiças sociais e a história do estado e defendia a ideia das três pátrias gaúchas ligadas pelo pampa, o que acaba sendo ideia comum aos atuais pajadores rio-grandenses. “Bochincho” é sua pajada mais conhecida e talvez o poema mais popular da declamação gaúcha, mas obras como “Galpão de estância”, “Payada do safenado” e “Galo de rinha” são clássicas. Faleceu em 1999. Graças à mobilização dos pajadores que o admiravam, foi instituído o dia 30 de janeiro, data de seu nascimento, como o Dia do Pajador Gaúcho (Lei Estadual nº 11.676/2001). Argentina e Uruguai também têm suas datas oficiais: 23/7 e 23/8. Além de El Payador, Pedro Júnior destaca os nomes de Carlos Molina e Gustavo Guichón (Uruguai), Jorge Céspedes “Manguera” (Chile), Tito Papillo (Cuba), Adão Bernardes, Arabi Rodrigues, Jadir Oliveira, João Sampaio, José Estivalete e Paulo de Freitas Mendonça (Brasil) como referência.



MOVIMENTO PAJADORIL

“Quando o Jayme faleceu, a imprensa anunciou que morria com ele a pajada, o que não aconteceu e foi exatamente o contrário: a partir dali, a pajada começou a ter um destaque maior, criou-se um movimento de pajadores e começamos a usar esse termo com mais força”, conta Pedro, que apresenta festivais há mais de 20 anos, sempre em décimas improvisadas. No Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (Enart) de 2017, pela primeira vez, os 20 grupos foram introduzidos por pajadas temáticas, todas criadas por Pedro. Nos muitos festivais de poesia e declamação pelo RS, a pajada está entre os textos que vão ao palco, seguindo os passos dos países platinos, onde festivais de pajada acontecem o ano inteiro. “Hoje temos mercado de trabalho e atuação. Ainda somos um movimento, a pajada ainda tem que provar muita coisa, mas está num crescente.”

Fonte: https://jornaldomercado.com.br/

CTG Galpão de Estância São Luiz Gonzaga e Ases do Fandango


            Agora, no próximo dia 09 de Abril, o Grupo Ases do Fandango, da bela São Chico de Assis, estará no CTG Galpão de Estância de São Luiz Gonzaga, levando o melhor da música regionalista, bailera e fandangueira, bem no estilo que o Povo Missioneiro mais gosta, com a essência e alma do gaúcho, bem do jeito que esse grupo vem fazendo ao longo de seus 36 anos de existência.

        Para quem não conhece o CTG Galpão de Estância, a entidade que foi fundada no dia 24 de junho de 1954, está entre as mais antigas dentro do MTG.

A História do CTG Galpão de Estância

Em agosto de 1947, um grupo de jovens alunos do Colégio Júlio de Castilhos, oriundos do interior do Estado, liderados por João Carlos D’Avila Paixão Cortes, criam um Departamento de Tradições Gaúchas em seu colégio com a finalidade de revitalizar e preservar a cultura gaúcha. E com este acontecimento, começaram a acontecer várias iniciativas em todo o Rio Grande do Sul, na criação de organizações e entidades em prol da valorização da cultura gaúcha, cultuando as tradições e costumes do povo gaúcho.

Na Região das Missões não foi diferente, e assim na cidade missioneira São Luiz Gonzaga, nasceu o CTG Galpão de Estância. A concretização de um Centro de tradições gaúchas começou a tomar forma no dia 09 de maio de 1954, com a realização de uma reunião, nas dependências do prédio da Rádio São Luiz, referente à fundação de uma entidade tradicionalista, onde formou-se uma comissão constituída pelo senhor Elias Possap, Dárcirio Dutra e Vidal Bocacio, para tratar da fundação de uma entidade tradicionalista.

Em 24 de junho do mesmo ano, nascia o CTG Galpão de Estância, cujo nome originou-se de um programa de rádio, que Jayme Caetano Braun, o grande payador e poeta do Rio Grande do Sul, juntamente com Elias Possap, Walter Medeiros, Dangremon Flores, Otacilio Rosa e Darcirio Dutra mantinham na Rádio São Luiz que tinha o nome Galpão de Estância.O primeiro patrão da entidade foi Antônio Caetano Sobrinho (Nico), tradicionalista dedicado e dinâmico. Por proposição de Luiz Cosme Pinheiro, foi adotado para o CTG o lema “Catedral Xucra do Pago”.

O CTG Galpão de Estância, foi a primeira entidade tradicionalista fundada na cidade, e desde então, ao longo destes 66 anos, até os dias de hoje o CTG Galpão de Estância – Catedral Xucra do Pago, vem preservando o tradicionalismo, o telurismo ao regionalismo missioneiro, sendo uma organização social, o qual acima de tudo respeita e preserva sua história Missioneira, e sempre promovendo diversos eventos integrados com a sociedade. Também é um local que permanece com as suas portas abertas para receber turistas, sendo um patrimônio local, onde as mais diversas faixas etárias se reúnem em busca de aprimorarem seus conhecimentos, trabalharem pela comunidade e cultuarem suas tradições regionalistas.

Atualmente a entidade tem como patrão, Luis Carlos de Moraes, que juntamente com a sua patronagem coordena as atividades, comprometidos com a propagação da nossa cultura e com um centro tradicionalista que motiva as novas gerações ao respeito pela sociedade em que vivemos e pela história do povo gaúcho.

Fonte: Rádio Missioneira

ONDA DA CANÇÃO DE IMBÉ - MAIS UM FRESTIVAL QUE RETORNA -


        A cidade de Imbé vai resgatar um antigo festival de música tradicionalista que fez parte do calendário municipal de eventos nos anos 90. O festival Onda da Canção, competição de músicas com ênfase na cultura popular e regional do Rio Grande do Sul, retornará neste ano dentro das atividades do XV Rodeio Crioulo Internacional de Imbé, que acontecerá entre os dias 04 e 08 de maio no Parque Municipal de Eventos, no balneário Santa Terezinha.
            Na última semana o secretário Uiraçu Pinto, titular da Secretaria Municipal de Turismo, Desporto e Cultura (SETURDEC) e responsável pela curadoria do projeto, recebeu os parceiros que atuarão na execução do projeto. Conforme ele, serão dois dias de evento: no primeiro haverá uma mostra musical regional competitiva, que contará com 10 canções concorrentes, das quais duas serão escolhidas para a noite final do festival. Já no segundo dia serão realizadas outras 10 apresentações da etapa estadual que, juntamente com duas composições classificadas na mostra musical regional, concorrerão à premiação principal.

        O Festival será avaliado por uma comissão composta pelos músicos Adriano Sperandir, Cristiano Quevedo, Cláudio Amaro, Ivan Therra e Loma Pereira. “O nosso intuito, além de resgatar um evento que ficou marcado na história da nossa cidade, é incentivar a valorização da nossa cultura tradicionalista e dar visibilidade aos talentos da nossa cidade e da nossa região”, explica Uiraçu.
Além da premiação em dinheiro e troféus, o festival Onda da Canção registrará em CD e streaming as canções que participarem do projeto.
        Durante o festival também está prevista a apresentação do espetáculo “Vozes do Litoral”, um coletivo de artistas litorâneo no palco, resgatando os maiores sucessos da nossa música praieira.
        O evento terá todos os cuidados com as normas e parâmetros estabelecidos pelos órgãos sanitários competentes, e espaço destinado para pessoas com deficiência e idosos, além de transmissão em tempo real pela internet.
        O festival Onda da Canção é uma promoção da Prefeitura Municipal de Imbé, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, Desporto e Cultura (SETURDEC), realizado e produzido pela Pandorga Produtora Cultural e Rendeira Cultural. A direção é de Adriana Sperandir e a coordenação do projeto é de Marco Araújo.
Financiamento: PRO CULTURA RS/ LIC
Governo do Estado RS
O regulamento completo da competição está disponível em www.imbe.rs.gov.br.

Fonte: Nilton Junior

terça-feira, 15 de março de 2022

MAIS UM ANO SEM BARBOSA LESSA

        No dia 11 de Março, mais um ano sem a presença do grande Luiz Carlos Barbosa Lessa , que nasceu em Piratini, 13 de dezembro de 1929 e faleceu em Camaquã no dia 11 de março de 2002. Barbosa Lessa foi folclorista, escritor, poeta, músico, advogado e historiador, um do mais renomados do Rio Grande do Sul. Escreveu cerca de 61 obras, entre contos, músicas e romances.

        Nasceu em 13 de dezembro de 1929, numa chácara nas imediações da histórica vila de Piratini (capital farroupilha), RS. Devido à dificuldade para cursar uma escola regular, teve de aprender as primeiras letras e quatro operações com sua própria mãe, a qual, ao se improvisar de professora, também lhe ensinou teoria musical, um pouco de piano e, inclusive, uma novidade na época chamada datilografia.
        Indo cursar o ginásio na cidade de Pelotas (Ginásio Gonzaga), aos doze anos fundou um jornal escolar ("O Gonzagueano"), em que publicou seus primeiros contos regionais ou de fundo histórico. E também fundou o conjunto musical significativamente denominado "Os Minuanos" (uma das tribos indígenas no velho Rio Grande do Sul), que pretendia se especializar em música regional gaúcha mas que, por inexistência de repertório àquela época, teve de se conformar com o gênero sertanejo e um tanto de música urbana brasileira.
        Para cursar o 2º grau colegial, transferiu-se para Porto Alegre, ingressando no Colégio Júlio de Castilhos. Aos dezesseis anos de idade já colaborava para uma das principais revistas brasileiras de cultura ("Província de São Pedro") e obteve seu primeiro emprego como revisor e repórter da "Revista do Globo".
        No ano seguinte participou da primeira Ronda Crioula/Semana Farroupilha e, munido de um caderno de aula para coletar assinaturas de eventuais jovens que se interessassem pelo assunto, tomou a iniciativa para a fundação do primeiro Centro de Tradições Gaúchas (CTG), o "35".
Nesta agremiação ele retomou seu interesse pela música regional e, na falta de repertório, foi criando suas primeiras canções, tais como a toada "Negrinho do Pastoreio" - hoje um clássico da música regional gaúcha.
            Bacharel pela Faculdade de Direito de Porto Alegre (UFRGS), 1952.

            Formando com seu amigo Paixão Côrtes uma abnegada dupla de pesquisadores, de 1950 a 1952, realizou o levantamento de resquícios de danças regionais e produziu a recriação de danças tradicionalistas. Resultado dessa pesquisa da dupla foi o livro didático "Manual de Danças Gaúchas" e o disco long-play (o terceiro LP produzido no Brasil) "Danças Gaúchas", na voz da cantora paulista Inezita Barroso.
        Incentivou a realização do Primeiro Congresso Tradicionalista do Rio Grande do Sul, levado a efeito na cidade de Santa Maria, em 1954, quando apresentou e viu aprovada sua tese de base socióloga "O Sentido e o Valor do Tradicionalismo", definidora dos objetivos desse movimentos.
Em 1956 montou um grupo teatral para apresentação de sua comédia musical "Não te assusta, Zacaria!", e saiu divulgando as danças e os costumes gauchescos por todas as regiões do Rio Grande do Sul, colhendo aplausos também nas cidades de Curitiba e São Paulo.

          Residiu na capital paulista até 1954, envolvido com produção de rádio, televisão, teatro e cinema, detendo-se finalmente na área de propaganda e relações públicas. Chefe de grupo-de-criação da Jr. Walter Thompson Publicidade e chefe de relações-públicas do Banco Crefisul de Investimentos.
Voltou a Porto Alegre em 1974, já como especialista em Comunicação Social, tendo trabalhado na Mercur Publicidade e Companhia Riograndense de Saneamento, CORSAN. Aposentou-se como jornalista em 1987.
        Entrementes, na administração de Amaral de Souza, foi Secretário Estadual da Cultura, tendo então idealizado para Porto Alegre um centro oficial de cultura acadêmica, que veio a pré-inaugurar em março de 1983: a Casa de Cultura Mário Quintana.
Mantinha pequena reserva ecológica no município de Camaquã, onde residia com sua esposa Nilza, dedicada à produção artesanal de erva-mate e plantas medicinais. Filhos: Guilherme, analista de sistemas, residente em Porto Alegre e Valéria, casada com norte-americano e residente no estado de New Jersey, USA.

        Teve destacado nome na música popular e na literatura. Dentre suas músicas, sempre de cunho gauchesco, destacam-se "Negrinho do Pastoreio", "Quero-Quero", "Balseiros do Rio Uruguai", Levanta, Gaúcho!", "Despedida", bem como as danças tradicionalistas em parceria com Paixão Côrtes. A obra de Barbosa Lessa foi cantada por dezenas de intérpretes, entre eles Inezita Barroso, Leopoldo Rassier, Vinícius Brum, Fátima Gimenez e Noel Guarany.
        Em sua bibliografia destacam-se os romances "República das Carretas" e "Os Guaxos" (prêmio 1959 da Academia Brasileira de Letras), os contos e crônicas de "Rodeio dos Ventos", o ensaio indigenista "Era de Aré", a tese pioneira "O sentido e o Valor do Tradicionalismo", o ensaio "Nativismo, um fenômeno social gaúcho", "Mão Gaúcha, introdução ao artesanato sul-rio-grandense", o álbum em quadrinhos "O Continente do Rio Grande" (com desenhos de FLávio Colin) e os didáticos "Problemas brasileiros, uma perspectiva histórica"", "Rio Grande do Sul, prazer em conhecê-lo", e "Primeiras Noções de Teatro". Também os dois volumes do Almanaque do Gaúcho.

LUTHIER PEDRINHO PORTO E SUA ARTE

       
             Um dos mais importantes e requisitados Luthier (pra quem não sabe o que é Luthier, é uma profissão muito antiga e que um grande número de pessoas ainda não conhecem. O ofício exige muita dedicação, paciência e conhecimento técnico. Além de construir instrumentos, o luthier é responsável por realizar o reparo e regulagem dos mesmos)
do Rio Grande do Sul, o meu amigo Pedrinho Porto, hoje, residindo em Caçapava do Sul, sempre está criando novas formas de instrumentos, visto que sua especialidade é cordas musicais, tem feito instrumentos de tudo que é forma e jeito.
        
        Além de exímio instrumentista de cordas, com participação em festivais e eventos musicais nativistas, sempre apresentando suas novidades nessa área instrumental.
       
                Quem quiser conhecer mais dessa profissão linda, encontre suas páginas na web ou visite-o na bela Capital Farroupilha. 




Associação Cultural Aldeia Nativa tem nova diretoria

           
 A Associação Cultural Aldeia Nativa, de São Vicente do Sul, grupo responsável por tentos eventos na capital da batata doce, entre eles o festival de convidados Canto da Aldeia, que acontecia todos os anos durante o mês Julho na costa do Rio Ibicui, e que foi suspenso por conta da Pandemia, mas que, certamente, logo estará de volta irmanando almas de um mesmo sentimento, que é esse amor pela natureza, pela música, pela poesia e pela arte de comungar versos, no último dia 11 de março, em Assembléia realizada no Galpão do CTG Cancela da Fronteira, foi montada e aprovada a nova diretoria:
Presidente: Felipe Della Pace Rosa
Vice-Presidente: Arison Martins Pereira
Diretora Financeira: Izoir Martins Pereira
Vice: Neusa Maria Durlo Medeiros
Secretária: Ana Paula Dal Forno
Vice: Elio Vlademir Heman Cezar
Conselho Consultivo:
Leoni Prates
Emerson Martins Pereira
Iogenes Medeiros

Suplentes:
Jairo Martins
James Vidal de Castro
Luciane Tavares Pons
Conselho Fiscal:
Gilson Edo Alves Parodes
Leoni Machado Martins
Francisco Solano Trindade de Lima

Suplentes:
Luis Fernando Valente Zucuni
Rozeni Regazon Pizzolato
Ari Jorge Benevenute Lopes

Terceira Dimensão em São Chico


        O Salão Querência, a nova casa de bailes de São Chico de Assis,, estará trazendo nesse 1º de abril de 2022 - sexta feira - Mais um mega baile com a Marca e Estilo da banda Terceira Dimensão com seus grande sucesso de 45 anos de estrada. Terá início às 23 horas.

        Os ingressos antecipado, no valor de R$ 25,00, tu pode encontrar:
        - Na Lancheria do tio Aldo e com seu Luiz feitas ali na Sede do Salão Querência, na rua Borges de Medeiros.

segunda-feira, 14 de março de 2022

ADAIR DE FREITAS E CRISTIANO FANTINEL

 

No dia 31 de Março, pelas plataformas do You Tube o lançamento do vídeo clipe da obra "Razões pra cantar agora", tema que o mestre Adair de Freitas desenvolveu especialmente para cantar com Cristiano Fantinel. Adair de Freitas já consagrado na música regional gaúcha, Santanense, que dispensa apresentações e Cristiano Fantinel, alegretense, da geração mais nova de cantante, mas também já consagrado pelos pelos nativistas do Rio Grande do Sul, onde há muito tempo vem alavancando troféus e aplausos.

Adair de Freitas o Fantinel ja cantaram juntos e outras ocasiões e festivais, inclusive na Tertúlia Nativista de Santa - o qual deixo esse video para apreciação de todos.

FIRMANDO A RAÍZ



ALBINO MANIQUE - 78 ANOS

Albino Manique e Chico Castilhos em 1957

Albino Batista Manique - nasceu em São Francisco de Paula, 12 de março de 1944 um dos mais consagrados aordionistas gáuchos, desde cedo sempre teve a música consigo. Tinha um vizinho e amigo chamado Francisco Castilhos, e juntos começaram a tocar. Francisco ganhou um cavaquinho, e como Albino tocava pandeiro, fizeram uma dupla para animar as festinhas do interior. Com o passar do tempo, Chico ganhou um violão, e Albino uma gaita de 80 baixos de seu pai, e desde então se apaixonou por este instrumento que ainda o acompanha até hoje.

Em 1958 se apresentavam num concurso musical de uma igreja em São Francisco de Paula, no Rio Grande do Sul. Como a dupla não tinha nome ainda, o animador Jair Teixeira disse que iria apresentá-los como Dupla Mirim. O batizado deu certo e, a partir deste dia, ficaram conhecidos como Dupla Mirim.

Em 1961, ele e Francisco Castilhos gravaram seu primeiro disco, intitulado Barbaridade, que até hoje ainda é muito tocado no sul do país. Depois de algum tempo se concretizou o Conjunto Os Mirins liderado por Albino.

Albino Manique tem uma musicalidade muito forte e muita habilidade com a sua gaita, criando uma técnica muito peculiar, e sempre se destacando por seus arranjos complexos e muito bem elaborados.

Em 1969 lançou seu primeiro disco solo, intitulado Alma de Acordeon, com sucessos como Taquito Militar e Bugio da Serra.

Na década de 1970 dedica-se ao conjunto, deixando de lado os discos individuais, voltando com todo vapor em 1978 com o disco solo Baile de Candeeiro trazendo músicas como Baile de Candeeiro e Madrugada.

Albino, em pouco tempo, passou a ser considerado uns dos melhores instrumentistas do Brasil e era muito requisitado para gravar discos de outros artistas.



Discografia:

1969: Alma de Acordeon
1978: Baile de Candieiro
1981: No Compasso da Acordeona
1983: A Gaita do Rio Grande
1984: Dançando Com Albino Manique
1985: Entrevero no Teclado
1986: O Gaiteiro
1989: Eu e a Acordeona (relançamento do LP Alma de Acordeon de 1969)
1994: A Gaita de Albino Manique
1998: O Som de Albino Manique

XXIII TCHÊNCONTRO DO JUVENTUDE - CTG PEDRO TELLES TOUREM

 

Domingo foi a vez de ir levar a Mãe , a dona Maria e  a Madrinha, para ver a sua neta "Laureti" - Laura Guedes - 1ª Prenda Juvenil da 10ª RT e uma das organizadoras do XXIII Tchêncontro da Juventude, evento que aconteceu no CTG Pedro Telles Tourem e que contou com a presença de Peões e Prendas da Região e visitantes, com palestra do Historiador e Tradicionalista Valdevi de Lima Maciel, explanando sobre "Voluntariado".

Foi uma tarde com cara de inverno e garoas de agosto, mas com o calor humano que os CTG sempre dispensam aos visitantes, culminando com um café de cambona e bolo frito, bem do jeito tradicional dos galpões deste estado. 

Parabéns "Laureti" pelo desempenho, pelo discurso emocionado e pela organização de mais um encontro, e que não fique somente nesses e que a juventude possa voltar para dentro dos CTGs, não só na dança, mas no canto, na poesia, na arte declamatória, nas brincadeiras e encontros memoráveis de contos e histórias. Quem sabe os CTGs abram as portas diariamente para oficinas de corte e costura, de bordados, de chuleios, de cantos, de música, de danças, de poesia, de cutelaria, de alimentação, de preparos de cordas e tantos outros afazeres que poderiam trazer gente e fomentar essa tradição que tanto pena nesses tempos pandemicos, de saúde e de ideias.

Sucesso e que venham muitos outros eventos.