quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Professor Moacyr Flores fala do Acampamento Farroupilha

Moacyr e sua máquina de escrever | Foto: Cleber Dioni Tentardini
Recuperado de uma cirurgia intestinal, aos 84 anos, o historiador Moacyr Flores está em plena atividade.
Escreve uma peça de teatro e, nesta terça feira, no Círculo de Pesquisas Literárias, apresentou seu último livro “Manifesto Republicano de 1838”, que tende a cair como uma bomba no Acampamento Farroupilha, onde já começaram as comemorações do 20 de Setembro, para exaltar os heróis da Guerra dos Farrapos.
O historiador não desdenha da importância do fato histórico.
Diz ele na abertura do livro: “A Guerra Civil dos Farrapos ou Revolução Farroupilha é um dos maiores acontecimentos da história do Brasil, pois pela primeira vez no Império existiu uma República funcionando durante quase nove anos com ministérios, tesouro nacional, serviço de correio, Assembléia Legislativa, relações diplomáticas e soberania de governo”.

A ressalva vem a seguir: “Ao confrontar a documentação nota-se que há uma tradição inventada que se renova a cada Semana Farroupilha. Cidades como Porto Alegre, Rio Grande, Rio Pardo, Pelotas, São José do Norte lutaram do lado do Império e atualmente realizam comemoração da guerra civil, como se os antigos habitantes tivessem apoiado os farroupilhas”, diz Flores na introdução de seu livro.
Ele diz que o Acampamento Farroupilha, em Porto Alegre, ” apaga da memória o fato de a capital provincial ter expulso os republicanos e resistido ao cerco dos rebeldes e, por isso, ganhou o título de Leal e Valerosa”.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Don Lúcio precisa de nós!

Todos nós temos momentos em nossas vida, as vezes de alegrias outras nem tanto, mas o mais importante é o que fazemos, o que deixamos para todos que seguem nossos passos ou nos escolhem para seguir, assim está sendo o vida do meu amigo Lúcio Yanel, se não o maior, um dos maiores guitarreiros que com a sua guitarra, por muito tempo, orgulhou nosso estado. Pois bem, hoje, ele passa por dificuldades, com a esposa sofrendo da doença de Alzaimer, esse mal que atinge a muitas famílias,  inclusive a minha, e nos faz abrir mão de muitas coisas para vivermos perto daqueles que amamos. Assim fez Don Lúcio Yanel, abriu mão de estar com a sua guitarra tocando e encantando a todos para viver momentos ao lado daquele que ele ama e que o escolheu e jurou amor eterno.
Vamos ajudá-lo, para que esse momento díficil se torne um tanto menos oneroso e possamos, com isso, agradecer o tanto que fez pela música do Rio Grande do Sul e da Sul América.
Conto com todos vocês!

domingo, 8 de setembro de 2019

9º FESTIVAL DE MÚSICA DE GRAMADO - RESULTADO


Pepeu Gonçalves, autor e intérprete da melhor música gaúcha.

A 9ª edição do Festival de Música de Gramado, aconteceu nos dia 05, 06 e 07 de setembro na Sociedade Recreio Gramadense. A comissão avaliadora este formada por: Duda Calvin, Samuca do Acordeon e Victor Hugo.
O resultado é o seguinte:

FASE GERAL:
Categoria GAÚCHA:
Primeiro Lugar: Laço Perfumado (Pepeu Gonçalves)
Segundo Lugar: Quatro Fronteiras (Claudio Vera Cruz

Categoria MPB:
Primeiro Lugar: Amadurecer (Ástrid Godoy)
Segundo Lugar: No Balanço do Compasso (Brunno Bonelli)

Categoria ROCK:
Primeiro Lugar: Antiga Casa (Pedro Alexandre/Dóris Encrenqueira)
Segundo Lugar: Canção do Andarilho (Jonatas Dinnebier)

Melhor Intérprete: Ástrid Godoy
Melhor Instrumentista: Andreas Crischi
Melhor Letra: As Vozes Que Vem do Campo - Roberto Ornes
Melhor Arranjo: - Hospício de Emoções - Guilherme Ferrari
Mais Popular: Canção do Andarilho - Jonatas Dinnebier

FASE LOCAL:
Categoria ROCK:
Primeiro Lugar: Hospício de Emoções (Guilherme Ferrari)
Segundo Lugar: Canção do Andarilho (Jonatas Dinnebier)

Categoria MPB:
Primeiro Lugar: Amadurecer (Ástrid Godoi)
Segundo Lugar: Aquele Som do Tim (Roger Coicev)

Categoria GAÚCHA:
Primeiro Lugar: Laço Perfumado (Pepeu Gonçalves)
Segundo Lugar: De Tropa e Saudade (Juliano Bolfe)

Melhor Intérprete: Juliano Bolfe - De Tropa e Saudade
Melhor Instrumentista: Andreas Crischi
Melhor Arranjo: Hospício de Emoções
Música Mais Popular: Amadurecer - Ástrid Kehl Godoi

O 9º Festival de Música de Gramado é realizado pela Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Cultura. A produção é da Blue Show.

Fonte: blog Ronda dos Festivais

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

1° Versos e Cantigas da Juventude Gaúcha -

A comissão avaliadora, composta por: Julia Graziela, Valdemar Camargo, Xirú Antunes, Henrique Scholz e Wiliam Varela. Tiveram a missão de selecionar os classificados de cada fase para a apresentação final em palco, foram mais de 100 obras inscritas representado os seguintes Estados: RS, SC, PR e DF.
A diretoria do Movimento Tradicionalista Gaúcho na pessoa do Presidente Nairo Callegaro e o Departamento Jovem Central do MTG na pessoa do Diretor Vitor Ribeiro, agradecem a todos os participantes e parabenizam a todos os classificados!
A final será na cidade de Farroupilha/ RS no dia 12 de Outubro, junto ao 6° Fegadan e 18° Acampamento Estadual da Juventude Gaúcha.
Hoje, no dia do Jovem Tradicionalista, divulgamos os classificados.

CLASSIFICADOS - FASE REGIONAL - ATÉ 20 ANOS - MÚSICA

- ESTA TERRA TEM DONO -
Poeta: Matheus Bauer
Compositor: Paulo Junior
São Borja - 3°RT
- COM A FÉ NA CRUZ TE BENZIA -
Poeta: Eduardo Falcão Alves
Compositor: Eduardo Falcão Alves
Pelotas - 26°RT
- O ÚLTIMO TRANÇADOR -
Poeta: Giovani Andrade
Compositor: Giovani Andrade
São Sebastião do Cai - 15°RT
- MADRUGANDO MILONGA -
Poeta: Victor Renato Von Dentz
Compositor: Victor Renato Von Dentz
Passo Fundo - 7°RT

CLASSIFICADOS - FASE REGIONAL - ATÉ 20 ANOS - POESIA

- PELOS CAMINHOS DA HERANÇA -
Poeta: Ramiro Grethe
Palmeira das Missões - 17°RT
- O HOMEM DO RETRATO -
Poetisa: Manuela Cornely
Novo Hamburgo - 30°RT
- OLHOS DE TERRA -
Poeta: Giovani Andrade
São Sebastião do Cai - 15°RT
- VIVA PAIXÃO -
Poetisa: Renata Guidotti Warnke
Canguçu - 21°RT

CLASSIFICADOS - FASE GERAL - MÚSICA

- DOM ANTENOR -
Poetas: Carlos Omar Villela Gomes e Angelo Franco
Compositor: Angelo Franco
Nicolau Vergueiro e Porto Alegre - RS
- PALANQUE -
Poetas: Rômulo Furtado e Deivid Damasceno
Compositor: Alexandre Taveira
Pelotas e Rio Grande - RS
- TIRANA PRA LUA -
Poeta: Henrique Fernandes
Compositor: Henrique Fernandes
Marau - RS
- MIRAGENS DE UM PRISIONEIRO -
Poetas: Jaime Brum Carlos e Loresoni Barbosa
Compositor: Sabani Felipe de Souza
Cachoeira do Sul e Farroupilha - RS
- GARRONEIRAS -
Poeta: Silvério Motta
Compositor: Vicente de Carvalho
Candelária - RS
- MOREIRA -
Poeta: Alex Moreira
Compositor: Alex Moreira
Pelotas - RS
- MADRUGUEIRO -
Poeta: Juliano Santos
Compositor: Kayke Mello
Santa Maria e Manoel Viana - RS
- CLINUDO -
Poeta: Paulo Augusto Vieira Petry
Compositor: Paulo Augusto Vieira Petry
Montenegro - RS
***Suplente***
- TROPA DE SOMBRAS -
Poeta: Adão Quevedo
Compositor: Felipe Pinheiro
São Lourenço do Sul e Fontoura Xavier - RS

CLASSIFICADO - FASE ESPECIAL - POESIA "JAYME CAETANO BRAUN"

- CHASQUE PRA DOM CAETANO -
Poeta: Edson Spode
Panambi - RS

CLASSIFICADOS - FASE GERAL - POESIA

- MÁGOA ANDARENGA -
Poeta: Matheus Costa
Dom Pedrito - RS
- POEMA SANGRADO -
Poeta: Paulo Ricardo Costa
Santa Maria - RS
- SOBRE UMA CRUZ À BEIRA ESTRADA -
Poeta: Douglas Diehl Dias
Cachoeira do Sul - RS
- POESIA -
Poeta: Henrique Fernandes
Marau - RS
- A BRUXA -
Poeta: Alcindo Neckel
Passo Fundo - RS
- PRA QUEM VOLTA À QUERÊNCIA -
Poeta: Luciano Salerno
Bento Gonçalves - RS
- NOS OLHOS DE UMA SAUDADE -
Poeta: Adriano Medeiros
Lages - SC
- A MENINA E OS PIRILÂMPOS -
Poeta: José Luiz Flores Moró
Farroupilha - RS

***Suplente:***
- DESCONSOLO -
Poeta: Adão Quevedo
São Lourenço do Sul - RS

Serranos e Monarcas em São Francisco de Assis


Nesta noite de quinta feira, reuniram-se nas dependências do CTG Negrinho do Pastoreio, membros da Patronagem, conselho fiscal e sócios, onde foi apresentado a prestação de contas da gestão da Patronagem que assumiu em 01/10/2017 até o presente momento. Após serem apresentados os dados, o Patrão Venâncio Azambuja, sugeriu que o Conselho Fiscal assumisse o CTG até a eleição da nova Patronagem, por sua vez. os conselheiros acharam por bem nomear uma comissão que ira se responsabilizar pela realização da Semana Farroupilha, garantindo a todos os sócios do CTG a costumeira confraternização durante os festejos. 
Como coordenadora da comissão ficou na pessoa da Ilca Lançanova, a qual convida a todos os sócios e a comunidade assisense para participar da Semana Farroupilha, que tem dois grandes bailes, um com os Serranos no dia 16 de Setembro e outro com Os Monarca dia 19 de Setembro, bem como almoço e janta todos os dias. "Pois é só com a participação e colaboração de todos que teremos condições de retomarmos a pujança de nossa entidade. Temos assegurada a participação de valorosas equipes encarregadas da preparação das refeições, oferecendo a todos momentos de alegria e confraternização" comenta a Coordenadora. 
Quem ainda não esta em dia com as mensalidade é só procurar a Secretaria do CTG ou os membros da Comissão responsável, as mesas e ingressos na secretaria e na Loja do Luizinho Auto Peças. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Teixeira Nunes – O lanceiro farrapo

Joaquim Teixeira Nunes foi um militar que deixou seu nome gravado na história do Rio Grande do Sul, comandando os lanceiros negros na Revolução Farroupilha. Sua origem é considerada um pouco turva por alguns historiadores, mas provavelmente nasceu na costa do Rio Camaquã, em Canguçu - RS, no ano de 1802, sendo filho dos primeiros povoadores do município. Casou-se, em Porto Alegre, em 4 de maio de 1823, com Felícia Maria da Silva Reis, natural de Viamão, filha do Capitão Manoel da Silva Reis e de Anna Felícia de Oliveira Pinto. Desse casamento, houve, o registro de apenas uma filha, Joaquina Teixeira Nunes, nascida em 7 de janeiro de 1824, em Porto Alegre. 
Era conhecido também como “Gavião” e por sua habilidade com as lanças, participando também da Guerra Cisplatina como alferes do Regimento de Cavalaria das Missões, onde fez parte da Batalha do Passo do Rosário. 
Republicano convicto ingressou na Revolução Farroupilha. Combateu em Rio Pardo em 1838, e logo após participou da expedição à Laguna em 1839 que formou a República Juliana. Foi ali que conheceu o revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi. 
Liderou o célebre 1º Corpo de Lanceiros Negros, constituído de escravos recrutados das charqueadas oriundos dos municípios atuais de Arroio Grande, Canguçu, Piratini, Pinheiro Machado, Herval, Bagé, Camaquã, São Lourenço do Sul, Pelotas, Pedro Osório, Caçapava e Encruzilhada do Sul. 
Em companhia de Garibaldi, Luigi Rossetti e Anita Garibaldi ao retornar da expedição à Laguna, derrotou em Bom Jesus a Divisão Paulista ou da Serra ao comando do brigadeiro Francisco Xavier da Cunha, enviada de São Paulo para lutar contra os farroupilhas. Tomou parte do indeciso combate de Taquari, onde comandou uma brigada ligeira de cavalaria. Sob o comando de Bento Gonçalves participou do ataque a São José do Norte. 
Era considerando o maior lanceiro de sua época. Na Revolução Farroupilha foi um dos mais constantes, intrépidos e denodados líderes de combate. Destacou-se em diversas ações, ao ponto de ser classificado por Assis Brasil como o “maior herói da Revolução Farroupilha" e pelo General Tasso Fragoso como "a maior lança farrapa". Era também reconhecido como líder abolicionista e defensor dos direitos dos negros.
A importância de Teixeira Nunes na Revolução Farroupilha pode ser medida pela lembrança de Garibaldi, já herói da unificação da Itália, nestas palavras relatadas em carta a Domingos José de Almeida.
"Eu vi batalhas mais disputadas, mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, nem lanceiros mais brilhantes que os da Cavalaria Rio-Grandense... Onde estão estes belicosos filhos do Continente, tão majestosamente intrépidos nos combates? Onde Bento Gonçalves, Netto, Canabarro, Teixeira Nunes e tantos outros."

Massacre de Porongos

A Batalha de Porongos foi o confronto mais polêmico da Revolução Farroupilha. Ocorreu na madrugada de 14 de novembro de 1844, quando as tropas imperiais comandadas por Chico Pedro – o Moringue, atacaram o acampamento farroupilha que se encontrava numa curva do Arroio de Porongos, entre Piratini e Bagé, exterminando o batalhão de Lanceiros Negros comando por Teixeira Nunes. Alguns soldados farrapos também morreram, mas o que causou estranheza e polêmica foi o fato de que os cerca de 100 negros lanceiros tinham sido desarmados por David Canabarro. Persistem suspeitas que o ataque, teria sido previamente combinado com David Canabarro, que na época estava negociando a paz farroupilha com o Barão de Caxias. O receio do Império era que os lanceiros negros, formassem bandos contra a escravidão, após o término da guerra. Não há um consenso histórico sobre a traição de Canabarro no Combate ou Massacre de Porongos.
Teixeira Nunes, principal líder dos lanceiros negros, também foi surpreendido com o ataque sendo ferido durante o confronto, conseguiu fugir mas ficou debilitado. Mesmo assim coube a Teixeira Nunes em 28 de novembro de 1844, a última reação armada da República Rio - Grandense, onde foi derrotado e ferido no Arroio Chasqueiro, na Batalha de Arroio Grande. Nesse último combate farroupilha impossibilitado de defender-se após seu cavalo ser derrubado com boleadeiras, Teixeira Nunes foi lancetado pelo alferes Manduca Rodrigues que lutava pelos imperiais comandados por Moringue. Ao fim foi degolado por Eliseu de Freitas. Seu cavalo encilhado foi vendido ao cabo Mariano e o relógio, com uma grossa corrente de ouro, ao Capitão Carneiro.
Morria Teixeira Nunes, mas sua memória é preservada ao lado dos Lanceiros Negros Farroupilhas, que buscavam apenas a verdadeira liberdade, igualdade e humanidade.
No ano seguinte, em 1º de março de 1845 é assinado o Tratado de Ponche Verde e assim chegava ao fim a Revolução Farroupilha.
Teixeira Nunes foi sepultado em frente à capela de Nossa Senhora da Graça do Arroio Grande, atual Igreja Matriz de Nossa Senhora da Graça do Arroio Grande.

Acesse o conteúdo dessa matéria emhttp://memoriasdopampa.blogspot.com.br

Fonte: Marcos do Pampa

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Coxilha Nativista vira polêmica

Mais uma vez a Coxilha Nativista de Cruz Alta, agora na sua 39ª Edição vira polêmica nas redes sociais, dessa vez com a música premiada em 2º Lugar - QUATRO SINUELOS - de Autoria de Evair Suarez Gomez, Marcio Maciel Da Silva e Marcelo Duarte e Melodia: Juliano Gomes que teve a interpretação de Fabiano Bachieri.

Uma letra totalmente tendenciosa, segundo alguns comentários do Facebook que exalta a direita da politica brasileira, citando seus comandantes, com nomes de Bois, e esculacha com a esquerda, numa posição bem clara para muitos. 
Confira a Letra:

QUATRO SINUELOS

Venha, venha, venha boi!
Berrando nota por nota...
Venha, venha, venha boi!
Berram os sinuelos da tropa.
Justiça e Capitão,
Paciência e Companhero!
Quatro bois do mesmo pelo,
- Noite de inverno, sem lua - 
Quatro Caciques Charruas
comandantes em seus rodeios,
Justiça e Capitão,
Paciência e Companhero!
Justiça é boi vistoso...
que as vezes tarda em chegar,
Mas quando "empeza" a berrar,
se destaca do rodeio...
Já nasceu pra ser sinuelo
e é fácil de acompanhar.
Já o Sinuelo Capitão,
de Peçunha bem parada,
Respeito pra terneirada,
botando em revista a tropa,
que perfilada se nota
que vai cambiar de invernada.
Paciência chega de arrasto,
Cabisbaixo, tranqueador,
Ja morou em corredor 
quando terneiro de pobre,
trocado por alguns cobres,
Quê, sinuelo, sim senhor!
Companhero anda amontoado,
no rodeio, vai e vem...
Não deixa pra trás ninguém
e berrando chama o gado,
Companhero, que pecado,
sempre anda, vai e vem!


Quando olhamos para a comissão avaliadora, certamente podemos entender o que pensa um festival, nesse caso: 
Jaime Vaz Brasil (Porto Alegre-RS) – Poeta; 
Roberto Borges (Santa Vitória do Palmar-RS) – Produtor Musical/Arranjador/Instrumentista/Compositor; 
Marcelo Oliveira (Gravataí-RS) – Intérprete; 
José Renato Borges Daudt (Porto Alegre-RS) - Compositor/Melodista; 
Taine Schettert (Cruz Alta-RS) – Intérprete/Instrutora de Música; 

Não sei até que ponto os festivais podem serem chamados de cultura ou apenas entretenimento? 
Não sei se músicas com esse cunho deveriam estar em festivais? 
Não sei se o Povo entende as letras dos festivais ou apenas vão pelo nomes de cantores famosos? 
Só sei que nossos festivais aos poucos foram morrendo e os que ficaram, pelo jeito, não tem preocupação alguma com a cultura desse Povo, tão pouco com a preocupação poética e musical, tornando os festivais cada vez mais um encontro de amigos que congregam da mesma voz. Basta olhar para os jurados, de onde são, e de onde foram as músicas que estiveram na Coxilha, principalmente as premiadas.
Sigamos uns mentindo para os outros. Com a palavra, ons entendidos.

1º in CANTO e VERSO do Piá


Convidamos a todos os amantes da poesia para uma noite de muita música e poesia, que acontecerá na noite de sexta feira, dia 16 de Agosto no Salão 2 do CPF Piá do Sul. 
Serão 10 musicas para interpretes vocais de todas as idades e 10 poesias, para isso os interessados em participar deverão fazer sua inscrição com antecedência para melhor andamento do evento.
Os interessados poderão falarem comigo ou com a Dulce Lima aqui pelas redes sociais.
Faremos um jantar campeiro ao valor de R$ 10,00 
Contamos com a participação de todos.

Foto de 1916


Fotografia curiosa de grupo de gaúchos borrachos com suas pilchas campeiras, os gaudérios com os copos nas mãos, as suas prendas montadas nos seus pingos e portando os seus chapéus com altivez, albumina, colada em cartão, foto de meados de 1916 segundo meu Tetravô.
Segundo meu bisavô era comum a chegada de Imigrantes e irem para as pulperias comprar as chinas pra levarem para as estancias

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Atuação das mulheres na Guerra dos Farrapos

Muito se tem escrito sobre a Guerra dos Farrapos. Exaltam-se seus feitos, combates viram batalhas, que não as houve, e combatentes são guindados a heróis. Cantam-se façanhas enquanto agruras são apagadas da memória. Nesse processo, as grande ausentes são as mulheres.
Afora Anita, alçada a heroína de dois mundos, que sabemos da atuação feminina na guerra?
Como viveram nos 10 anos de saques, incêndios e mortes? 
Pesquisas em arquivos e em jornais da época apontam para grupos femininos distintos, não raro acumulando atividades, como escravas hábeis em costura e bordado; fazendeiras substituindo o administrador tombado, liberando gado mediante recibo ou vendo o rebanho espoliado. Vivandeiras acompanhavam seu homem na retaguarda, acudindo feridos em combate. Imigrantes alemãs afirmaram o minifúndio como sistema econômico produtivo, enquanto barqueiras comandavam frágeis embarcações com produtos agrícolas para o mercado de Porto Alegre. A Santa Casa de Misericórdia tornou-se estabelecimento patronal ao gerir a equipe de mulheres (gerente, porteira, madrinhas, amas de leite, criadeiras) encarregadas da criação de infantes abandonados na roda dos expostos por conta da penúria da guerra civil.


A imprensa, desde 1828, debateu ideias conservadoras versus iluminismo europeu. Também publicou anúncios de "aulas" nas quais mestras ensinavam tradicionais "prendas domésticas" e matérias humanistas. Maria Josefa Pereira Pinto reuniu as duas tarefas: entre seus alunos teve o mais tarde famoso gramático Antônio Álvares Coruja, e em 1833 foi a primeira mulher proprietária de jornal, o semanário Belona, no qual atirava "sátiras incisivas e eruditas" para ridicularizar os "pretensiosos políticos" .


Em 1838, os farroupilhas decretaram a universalização do ensino na República Rio-Grandense, medida louvável que a penúria da guerra não permitiu concretizar. Em 1842, Caxias convocou um exército de 12 mil homens e, para prover esses homens de uniformes, apelou para as mulheres da província que soubessem costurar - tarefa gigante, costura a mão, pois a máquina Singer ainda estava por ser inventada.


A guerra deu ensejo à intelectualidade de um punhado de mulheres, que responderam cada uma à sua maneira, criticando os líderes. A cega Delfina Benigna da Cunha fulminou, em glosa, o chefe farroupilha: "Maldições te sejam dadas / Bento infeliz desvairado / No Brasil e em toda a parte / Seja teu nome odiado".


Nísia Floresta, nordestina vinda ao Sul em 1833, cantou a beleza e a fartura das chácaras-cinturão verde de Porto Alegre: frutos europeus, vinhas, pêssegos aveludados, saborosos damascos, rubra maçã, roxa cereja e linda amora - fartura que, até 1835, garantiu "tudo quanto o homem pode desejar sobre a terra, paz, abundância, simpleza e a doce influência de um clima sadio". Para combater a submissão feminina ao mantenedor, traduziu ousada obra feminista, Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens. Nela sobressaem duas reivindicações basilares para a História de Gênero: o direito ao estudo e a um trabalho remunerado, que capacitem a mulher a gerir sua vida, pois ela é potencialmente capaz de advogar, de ministrar justiça, de exercer ensino universitário. A imprensa silenciou, como forma de minimizar os efeitos da ousadia.


Ana de Barandas, porto-alegrense solidária na busca por mais direitos, questiona os homens conservadores: "Tendo nós os mesmos sentidos e igualmente uma alma espiritual, por que não fazer uso desse admirável presente recebido do Criador?".
Seu inconformismo e suas denúncias tiveram eco no esforço pela formação de um pioneiro Partido Político Feminino, movimento liderado por mulheres da elite, como Maria Josefa Fontoura Palmeiro, com trânsito em ambas as facções políticas em luta. Por fazer propaganda pela causa farroupilha, foi presa, interrogada e expulsa de Porto Alegre. Essas mulheres endossavam o partido dos maridos, embora Ana de Barandas, em seu livro O Ramalhete (1845), argumente que a mulher deva ter vontade própria para abraçar a causa que ache mais vantajosa.


Ana é vibrante ao denunciar saques e mortes. O sítio natal, "outrora morada do prazer", converteu-se "em perfeito esqueleto", destruídos "os bosques, pomar e habitações e exilados seus habitantes". 
Por tanto sofrimento, ela acusa as lideranças. Os políticos, afirma, "douram a pílula e fazem-na ao paladar dos gulosos que, sentindo o doce, são capazes de engolir o maior veneno (...) 
Os maliciosos, servem-se do lindo manto do patriotismo para cobrirem seus malignos projetos". O sofrimento de Ana espelha o do universo feminino, e ela o resume numa frase tristemente atual, embora decorridos 170 anos:


"O político tem a alma danada. Em vez da verdade, diz lindas coisas para embalar o povo incauto".

Tambem temos as Vivandeira em francês significa “Vivandière”, ou seja, a mulher que vende ou leva alimentos seguindo as tropas em marcha. 
Elas começaram atuar na época das guerras e movimentos armados dos exércitos de Napoleão onde essas mulheres seguiam em marcha acompanhando seus cônjuges, parentes e amantes servindo-lhes com alimentos, água e munição. 
Nesses anos insanos da Guerra do Paraguai, 11-11-1864 até 01-03-1870, que foi um verdadeiro genocídio essa campanha bélica onde, na faina de matar, morrem mais de 300.000 pessoas, a presença das Vivandeiras foi marcante, pois seguindo na retaguarda do exército serviam com mantimentos nos acampamentos sendo cozinheiras além de outros afazeres que veremos no decurso deste texto.
Abro um espaço aqui para registrar o nome de pessoas, homens, da nossa comunidade que fizeram parte dos contingentes ligados às guerras e revoluções. Na Revolução Farroupilha participaram estes bossoroquenses: Florêncio Sanábria Flores, João Cunha da Silveira, Jacinto Antunes Pinto, José Fabrício da Silva, José Joaquim Assunção.
Cabe ressaltar que na Guerra do Paraguai participaram os bossoroquenses: Elisiário Nascimento, João Luiz Nascimento, José Gonçalves de Oliveira e Luiz Gonzaga Nascimento.
Daqui de Bossoroca na Revolução Federalista participaram João Cunha da Silveira Sobrinho, Jacinto Martins da Rocha, João Luiz Nascimento, José Francisco Ferreira, José Martins Pinto, Manoel Antunes Ferreira (irmão do meu tataravô) e Porfírio José Pereira.
Na Coluna Prestes, que eu lembro agora, participaram Gaspar Nascimento, Laurindo Pinto, Luiz Fagundes e Alfredo Ferreira Aquino, que era comerciante em Bossoroca e na Coluna foi enfermeiro. Na marcha em que ele fez junto à Coluna, ao longo do percurso, o senhor Alfredo Ferreira Aquino teve 722 (setecentos e vinte e dois) afilhados. 
Já na Segunda Guerra Mundial os bossoroquenses que foram para a Itália são estes: Cícero Cavalheiro, Elautério Melo, Euclides Antunes Pereira, Eugenio Martins e Nicanor Rodrigues.
Voltando-me às Vivandeiras, elas cuidavam das roupas dos militares, eram enfermeiras que acudiam os feridos, providenciavam remédios basicamente da flora, amparavam os doentes, satisfaziam desejos sexuais. Outras, mesmo contrariadas, iam na vanguarda pois forjaram-se revolucionárias que pegavam em armas lutando de igual para igual e, muitas vezes, prestavam conforto moral e ainda choravam a morte de seus companheiros e amigos nos palcos formidáveis (espetáculos de horror) dos campos de batalha. 
Imaginemos muitas Vivandeiras ainda meninas, recém-adolescentes, que entregaram-se aos oficiais de mais idade. Outras sofreram estupros, abusos, desprezos de toda ordem e outras ainda eram prostitutas e não tinham em contrapartida o mínimo respeito à sua dignidade e seus valores internos como ser humano dotado de corpo e alma devido a cultura e o modelo patriarcal da época.
Apesar de tantas Vivandeiras ter ficado no anonimato na Guerra do Paraguai, eis aqui algumas que figuram com seus nomes na história: Maria Curupaiti, Joan Rita das Impossíveis, Florisbela, Ana Néri, Sargenta Jovita Alves Feitosa, Maria Vareta, Maria Francisca da Conceição.
Durante a Coluna Prestes que começou na missioneira São Luiz Gonzaga – RS em 28 de outubro de 1924 e estendeu-se até 03 de fevereiro de 1927 na Bolívia, nessa longa marcha sob o comando do “Cavaleiro da Esperança”, Luiz Carlos Prestes num percurso de 25.000 km, sabemos que, por longo período, houveram presenças femininas nessa jornada onde também não tinham pleno reconhecimento pelo comando da tropa. Sabe-se que em vários casos eram as Vivandeiras que faziam o serviço hediondo, horrendo, de exterminar com os prisioneiros geralmente pela degola. Algumas vezes como prêmio algumas dessas “coitadas” numa espécie de sorteio eram “premiadas” para uma noite de sexo com o inimigo para, depois, num descuido matá-lo a golpes de arma branca. 
Estas foram algumas das Vivandeiras da Coluna Prestes: Ai Jesus, Albertina, Amália, Anna Alice, Alzira que tinha o apelido de “Generala”, Cândida, Chiquinha, Cara de Macaca, Chuvinha, Ernestina, Emilia Dias, Elza, Etelvina, Eufrásia, Gaúcha, Gorda, Hermínia, Honorata, Isabel Pisca-Pisca, Lamparina, Letícia, Maria Emilia, Maria Revoltosa, “Onça”, Ótima, Santa Rosa, Tia Manoela, Tia Maria, Xatuca.
No chamado sistema da ordem patriarcal as Vivandeiras eram menos conceituadas que as chinas que desconsiderou, interditou e marginalizou a importância e a valorização do papel dessas mulheres no apoio às bases de sustentação das guerras. Basta vasculhar a história e vamos notar um silêncio, um hiato onde as Vivandeiras eram vistas como seres de posição inferior, marginal e raramente vamos encontrar honrarias, medalhas, estátuas, referências dignas de reconhecimento nos anais da história sobre a missão que elas tiveram no teatro das batalhas onde muitas viveram atrocidades de toda ordem, até mesmo inanição (debilidade extrema pela falta de alimentação), morreram sendo parceiras incondicionais nessas causas doloridas que a guerra, na sua força motriz, fez e trouxe consigo.
O fato é que as Vivandeiras que foram andarilhas, esposas, mães, comerciantes, guerreiras, enfermeiras, companheiras, amantes, prostitutas, muitas vezes consideradas más e inferiores lutaram no front como combatentes de guerra, sentiram no corpo e na alma as agruras da luta sem piedade e sem dó nos combates encarniçados, foram destemidas, corajosas, determinadas, tiveram bravura, abnegação e heroísmo. Elas viveram hostilidades e crueldades e sentiram provações físicas e psicológicas. Muitas delas sabe-se delas apenas o apelido, outras ficaram nas entrelinhas, no anonimato e morreram no esquecimento salvo raríssimas exceções. Este assunto serve para uma larga e consciente discussão, carece de mais pesquisas e justiça com bastante aprofundamento, pois são merecedoras de uma epopéia pelo protagonismo feminino.

Fonte: Rio Grande Antigo

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Mapa do Rio Grande do Sul em 1835


Pacto de Pedras Altas 1923.

Da esquerda para direita.
Mena Barreto, Batista Lusardo, Leonel Rocha, Honório Lemes, Assis Brasil, Setembrino de Carvalho, Angelo Pinheiro Machado, Zeca Netto, Felipe Portinho e Estácio Azambuja.
Foto tirada logo após a assinatura do Pacto de Pedras Altas 1923, pacto esse que deu fim a Revolução de 1923.

Conclave de Cachoeira, 1932

Quando os destinos de muitos eram traçados no Irapuazinho, na fazenda do Dr. Borges de Medeiros, interior de Cachoeira do Sul, local onde já estive e infelizmente está em ruínas, de la ganhei um faca que guardo toda de prata e canhota.
Na foto General Flôres da Cunha, João Neves da Fontoura, Dr. Borges de Medeiros e Raul Pilla.
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terça-feira, 25 de junho de 2019

CONTOS DE GALPÃO - CEMITÉRIO DAS ALMAS PERDIDAS

Por Beraldo Figueiredo


Foi num baile de campanha, que o moço Delmar namorou uma moça linda, sua casa ficava numa chacrinha a uns seis quilômetros da cidade, ele tinha uma bicicleta e morava numa vila da cidade, no meio do caminho tinha um cemitério antigo, cheio de histórias de assombrações, conhecido por todos como Cemitério das Almas Perdidas, pois ali no passado enterravam pobres, mendigos, negros bandidos e prostitutas. 
Todos fim de semana ia visitar sua prenda, estava apaixonado e lá pelas seis horas da tarde o sogro dizia: - Tá na hora de ir embora, já namorou, matou a saudade então boa noite seu Delmar.
Lá se ia Delmar pedalando, passava na frente do cemitério, que tinha um muro branco longo e no meio um portão de ferro batido, via os túmulos, as cruzes e como a tardinha ainda deixava o céu com uma luz fraca, passava rápido pela frente sem sentir medo.

Seus cunhados assustavam ele: - Olha Delmar, tu não passa no Cemitério de noite, aquilo lá é assombrado, tem a mulher de branco e tem o velho do Portão que não te deixa passar e se ele te convidar para entrar, não tem como negar, se tu for escolhido é porque tua hora chegou. – E riam.
Pois num dos fim de semana, Delmar chegou com o pneu furado da sua bicicleta, teria que ir embora a pé, pensou em ir embora mais cedo, imagina além de caminhar teria que andar ao lado de sua bicicleta o que dobraria o tempo, porém sua namorado disse:
- A não! Eu te espero todo fim de semana prá gente ficar junto por umas horas e tu quer ir mais cedo, de forma alguma. 
Pois teve que ficar. Coitado as seis horas da tarde saiu ao lado de sua bicicleta, a tardinha já tinha escondido o sol, lembrou do cemitério. Caminhou com a bicicleta no lado três quilômetros quando avistou o muro branco, já era noite, para sua desgraça uma noite escura e fria, mas seguiu firme, com um terrível medo, pois pode ver que na frente do portão do cemitério tinha uma mulher parada, estava de vestido branco era magra alta, cabelos compridos e estava olhando para ele. Então parou. Olhou para os lados, tudo era mato, deserto e escuro, uma coruja piou.
Suas pernas começaram a tremer, um medo terrível invadiu seu ser, ouviu uns passos atrás e se virou, um negro de cabelos brancos, caminhava com um feixe de gravetos embaixo do braço, um palheiro aceso e um chapéu preto todo corcomido e torto e então disse para o jovem:
- Boa noite meu rapaz, o que se assucede contigo, porque não monta na bicicleta e passa.
- Furou o pneu.
- Mas porque está plantado no meio da estrada com esse frio.
- Estou com medo, não está vendo aquele vulto branco na frente do cemitério?
- Que vulto? Não tem ninguém lá.
- Tem sim, é que ela quando viu o senhor entrou, mas ela está lá na entrada me esperando, é alma penada, estou com medo.
- Bobagem, eu passo todos os dias aqui, vou sempre pegar lenha no matinho, vem que eu te ajudo a passar.
Delmar se encorajou com o velho negro ao seu lado e caminhou.
- Tu sabe meu jovem, alma penada só assusta quem tem medo, neste mundo dos vivos tem que temer os vivos, onde já se viu ter medo de quem já morreu. – Riu o ancião.
Assim foram caminhando, quando passaram pelo portão, Delmar viu o rosto cadavérico de uma mulher, com um vestido sujo como se tivesse saído de uma tumba, ela riu batendo os ossos do queixo e com a boca desdentado, nos buracos da caveira olhos loucos de uma alma enlouquecida.
- Olha ali, olha é ela. Olha – Falou com medo
- Não tem nada ali, é tudo fruto da sua imaginação, olhe para frente, mire as luzes da cidade que é para onde tu vais. - Falou rindo o Ancião. - Não olhe para trás, pois só tem passado.
- Graças a Deus o senhor está aqui, como é mesmo seu nome?
Assim que passaram o cemitério, logo se viu uns ranchinhos e luzes em suas janelas pequenas, o velho ancião parou e disse:
- Aqui me despeço. Agora já passou o cemitério, não tem mais nada pra te preocupar.
- Muito obrigado senhor, mas não posso seguir sem saber seu nome.
- Olha menino, quando eu era vivo meu nome era Nego Pedro, agora que morri, todos me chamam de Velho do Portão. Vai em paz, pois quando vivo na sua idade, eu também tinha medo de morto.


Retirado da Pagina do Gaúcho

Nossa Senhora da Candelária do Ibicuí

Por Lisandro Lorenzoni¹ 

Antes de adentrar ao tema específico deste artigo, é necessário situar de maneira superficial, o processo colonizador da Espanha e os principais povos indígenas que habitavam a Província Jesuítica do Paraguai², criada em 1609. O território abrangia o Paraguai, Argentina, Uruguai e os estados brasileiros do Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Importante frisar que a exploração das terras na América espanhola ocorreram por etapas e os povos indígenas sofreram ação direta dos conquistados, com trabalho escravo aos encomenderos³, bandeirantes paulistas ou pela fundação das Reduções Jesuíticos-Guaranis. 

Os Guaranis dominavam uma vasta área territorial, que se estendia do Paraguai até o Rio da Prata. Não habitaram o planalto gaúcho, onde se encontravam os grupos dos Jês e, nem as planícies/pampa, território dos charruas e minuanos. Segundo dados arqueológicos, a tradição Tupi-Guarani estava presente nas matas subtropicais, que se estendiam ao longo do Rio Uruguai e seus afluentes, além do Rio Jacuí, litoral e suas lagoas. Muitos dos povos indígenas foram guaranizados, ou seja, eram de outros troncos e viviam em pequenas aldeias, mas por poder, alianças ou influência dos Guaranis, adotaram seus hábitos e costumes. 

Em um primeiro momento a fundação de Reduções Jesuíticas, criadas através da palavra de Deus, agiram como salvação espiritual e física aos índios, mas seu principal objetivo era demarcar e proteger o território espanhol da potencial expansão portuguesa ao Rio da Prata. Na primeira fase ou ciclo missioneiro em solo gaúcho (1626-1637), foram fundadas 14 reduções e os povoados eram simples, instaurados com o intuito de convertê-los à fé católica, com igrejas construídas de madeira ou de taipa, enquanto as casas dos índios eram de pau-a-pique. Foi na Serra Geral ou região dos Tapes (grupo indígena que dominava o Planalto Central, entre as bacias dos Rios Ibicuí e Jacuí), que adentrou o Padre Roque González de Santa Cruz. Aporta pela primeira vez pelos últimos contrafortes a Oeste desta Serra, entre os Rios Ibicuí e Itu, na chamada Coxilha do Boqueirão (Santiago). Na segunda vez, com a ajuda dos índios Tapes, comandados por Nenguiru, Roque González partiu da margem esquerda do Rio Uruguai para lançar a semente das futuras Reduções Jesuíticas-Guarani. No dia 3 de maio de 1626 funda São Nicolau do Piratini, entre os Rios Ijuí e Piratini, a primeira redução em solo rio-grandense. 

Em 1627, um ano depois do seu primeiro intento, o Padre Roque González chega na confluência entre os Rios Ibicuí e Uruguai e não encontra nenhum aldeamento de índios em ambas às margens. Decide então subir de canoa cerca de 40 léguas (200 Km) pelo Rio Ibicuí, nas proximidades com a embocadura do seu principal afluente, o Rio Jaguari, onde na margem direita, encontra a aldeia do cacique Tabacã. Sendo bem acolhido pelos indígenas, ali funda a segunda Redução Jesuítica em terras gaúchas, erguendo-se com ajuda dos índios uma cruz de cerca de 40 pés e uma pequena capela feita de pau-a-pique e coberta de palha. Em homenagem a Maria Santíssima, o Padre Roque batiza a redução de Nossa Senhora da Candelária do Ibicuí. A Redução teve duração efêmera, pois quando voltou, Padre Roque foi informado que índios lindeiros ao Ibicuí, destruíram a capela, colocando fogo na cruz. 

Em Carta Ânua, Padre Roque faz referência ao ocorrido na Candelária do Ibicuí. “Assim que cheguei ao porto, onde havia começado a redução, mandei chamar os caciques vizinhos que logo vieram, entre eles, Tabacã, em cuja aldeia se cometera o sacrilégio e interroguei-o sobre o caso. Responderam-me que era verdade. Censurei-os com severidade, mas ele se desculparam, alegando que aquilo havia acontecido estando eles ausentes e longe dali. Pelo que, sendo grande a multidão de índios malfeitores, podiam cometer a salvo o delito”. O padre decidiu que não mais voltaria aquele lugar e reuniu os caciques dos Tapes para conhecer o quão grande era seu território - não à toa o significado de Tape é povoação grande. Mas a Candelária permaneceu como referência geográfica, pois encurtava o trajeto para subir às outras missões, uma vez que bastava subir o Rio Jaguari e atravessar a Cordilheira do Boqueirão. 

O que hoje são terras de São Francisco de Assis também abrigaram a Redução Jesuítica de São Tomé do Ibiquiti, fundada em 13 de junho de 1632, pelo Padre Pedro Romero (superior das reduções do Uruguai), juntamente com os Padres Manuel Bertot e Luís Ernot. Sua localização ficava cerca de 500 metros de onde hoje existe a Gruta de São Tomé, próxima a ERS-241. Foi a primeira Redução Jesuítica da Província do Tape e chegou abrigar 7 mil índios. Em 1638, em virtude dos ataques constantes dos bandeirantes paulistas, os padres e os índios decidiram destruir a redução e migraram para a margem direita do Rio Uruguai, criando uma nova redução onde hoje é a cidade de São Tomé, na Argentina. Os descendentes destes que partiram da Redução de São Tomé deram origem ainda a Redução Jesuítica de São Francisco de Borja (1682), mais tarde município de São Borja. Esta redução foi a primeira do segundo ciclo, considerado a fase de ouro das missões em solo gaúcho. A constante luta entre o encomendero espanhol, o bandeirante luso e o jesuíta espanhol foi uma das causas para a Guerra Guaranítica (1750/1756), quando os exércitos português e espanhol destruíram as reduções. Em 1768, por ordem do Marquês de Pombal, os jesuítas foram expulsos e gradualmente as reduções foram abandonadas. 

Por de fato: a célula mater étnica-cultural e histórica do Rio Grande do Sul se deve em grande parte a criação das Reduções Jesuíticas-Guarani. É o contato dos indígenas com o branco e com o negro, o núcleo-primeiro da formação que, a posteriori, dará origem ao homem sul rio-grandense - herança racial idealizada no gaúcho tradicional. 

(1). Lisandro Benvegnu Lorenzoni é jornalista, pós-graduado em Leitura, Literatura e Formação e assisense com muito orgulho. 
(2). A Província Jesuítica do Paraguai foi desmembrada da Província Jesuítica do Peru. Os jesuítas dividiram-na em quatro Frentes Missionárias: Paraguai, Itatim, Uruguai e Tape. 
(3). Espanhóis donos de terra com poder na sociedade colonial. Pagavam tributos à Coroa Espanhola. Os índios eram forçados a trabalhar nas fazendas e lavouras. 


Consulta Bibliográfica 
Arquivo Geral das Índias, Sevilha/Espanha. 
Coleção Pedro de Angelis, Biblioteca Nacional. 
Zuse, Silvana. Os Guaranis e a Redução Jesuítica, USP, São Paulo, 2009.

Emerson Gottardo au 7e Festival du Rio Grande do Sul de Paris

Emerson Gottardo, chanteur, instrumentiste et compositeur du Rio Grande do Sul, lauréat de plusieurs festivals de musique dans le Sud du Brésil.
Et puisqu’on ne peut rien faire tout seul, Emerson Gottardo est accompagné par un groupe de musiciens renommés :
Tomé München est multi-instrumentiste et ses habilités s’étendent à la guitare acoustique et électrique, l’harmonica et la basse.
Gean Santos est le membre le plus récent du groupe. Il aide à la production et à la conception musicale du spectacle.
Maguila Becker est l’un des batteurs les plus renommés du Sud du Brésil, il a son propre style et c’est lui qui dicte le rythme de chaque chanson.
Tiago München est l'accordéoniste, avec ces solos élaborés et une technique impressionnante, il fait bouger n'importe quel public.


TRADUÇÃO:
Emerson Gottardo au 7e Festival du Rio Grande do Sul de Paris
Emerson Gottardo, cantor, instrumentista e compositor do Rio grande do Sul, vencedor de vários festivais de música no sul do Brasil.
E já que não se pode fazer nada sozinho, Emerson Gottardo É ACOMPANHADO POR UM GRUPO DE MÚSICOS RENOMADOS:
Tomé München é multi-instrumentista e seus habilitados estendem-se à guitarra acústica e elétrica, a harmónica e a baixa.
Gean Santos é o membro mais recente do grupo. Ele ajuda a produção e design musical do show.
Maguila Becker é um dos bateristas mais renomados do Sul do Brasil, tem o seu próprio estilo e é ele que dita o ritmo de cada canção.
Tiago München é o sanfoneiro, com estes solos elaborados e uma técnica impressionante, faz com que qualquer público se mexa.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

A Coluna Prestes

Antônio Ferreira Prestes Guimarães 

Nasceu em Passo Fundo, 13 de julho de 1837 — Faleceu em Passo Fundo, 19 de setembro de 1911 foi um político, advogado e militar brasileiro.
Participou da Revolução Federalista, tendo o comando da 1ª Divisão por um breve período, em 1894, quando foi responsável pela ocupação de Alegrete.(Foto) 
O coronel Prestes Guimarães foi um chefe Militar de grande capacidade, indomável, enérgico, derrotou várias vezes as unidades da Divisão do Norte. Foi, sem dúvida, um dos mais brilhantes comandantes militares dos federalistas maragatos, senão de toda guerra civil de 1893. Um grande e admirável comandante, um gaúcho de cepa, que muito honra Passo Fundo.

A coluna de prestes Guimarães era chefiada por Gumercindo Saraiva...ele os Saraivas estavam junto de Gumercindo quando este foi atingindo covardemente por um pica pau. Prestes Guimarães que ia montado em um zaino cabano prometeu vingar a morte do amigo. Testemunhas do fato disseram entre elas Torquato, Ângelo Dourado, Demétrio Xavier... E mais alguns chefes viram o choro comovido de Prestes Guimarães, abraçado ao amigo. Era o início do fim da revolução. 

A VERDADE SOBRE ESSA FOTO



Esta foto tem sido divulgado como sendo Adão Latorre, no entanto essa foto nem foi tirada em território gaúcho embora pertença a Revolução Federalista de 1893.
O DEGOLADOR DA FOTO se chama Cabo Sebastião Juvêncio.

Este retrato de grupo foi feito pelo fotógrafo paraense Affonso de Oliveira Mello e mostra a degola de um prisioneiro. A posição dos homens armados, olhando estáticos para a câmera, segue os padrões de retratos oficiais da época. Ao centro, o “cabo-carrasco” Sebastião Juvêncio segura com firmeza a cabeça da vítima para expor seu pescoço. E encara a câmera com seriedade, numa atitude de enfrentamento. Uma anotação no verso da fotografia original conta que a imagem não foi apenas uma encenação. Registra uma execução real, que ocorreu em abril de 1894, na estação ferroviária de Ponta Grossa.

Não é possível saber com certeza se o prisioneiro condenado é um pica-pau ou um maragato. Durante os dois anos e meio da Revolução Federalista, a degola foi utilizada como arma de guerra pelos dois lados do conflito. Neste período, cerca de 10 mil pessoas morreram, sendo pelo menos mil degoladas. Era mais prático executar o inimigo do que mantê-lo prisioneiro, e a degola economizava munição.

Apresentamos aqui uma reprodução ampliada da imagem original, pertencente à Fundação Biblioteca Nacional, que, por razões de preservação, não pode ser exposta ao público.
MEMBROS DA FOTO:
Execução de um rebelde. Da esquerda para a direita: cap. Porto, major dr. Fritz, major Gardino de Castro, cap. Estraubel, Sebastião Juvencio (cabo e carrasco), ten. Alfredo, não identificado e cap. Dionizio. A vítima não foi identificada. Ponta Grossa, PR, abr. 1894.


Fonte: https: // ims. com. br/ 2018/05/24/ conflitos-audioguia-01- revolucao- federalista /

terça-feira, 18 de junho de 2019