quarta-feira, 16 de outubro de 2024

8º CANTO GALPONEIRO DE PASSO FUNDO

Tudo pronto para o 8° Canto Galponeiroo os apresentadores, Analise Severo e Zeca Amaral. que farão bonito no palco do Gran Palazzo, o espaço da Cultura em Passo Fundo nesse final de semana, de 17 a 19 de outrubro, em mais um grande evento da Cultura. Que terá transmissão ao vivo pelos Canais oficiais do evento e pelo YouTube na página do grupo LOUCOS POR FESTIVAIS - só clicar aqui https://www.youtube.com/live/WuTssvk9O9g



Veja quem estará no Palco nesses 3 dias de Festival.






















segunda-feira, 14 de outubro de 2024

ERVA MATE - COMO SURGIU?

Como a própria National Geographic já trouxe em outros artigos, a erva-mate (Ilex Paraguariensis) é uma árvore nativa da América do Sul que, na natureza, pode atingir uma altura de 12 a 16 metros e é cultivada na zona subtropical da região.
Suas folhas são usadas para fazer várias infusões muito populares e consumidas pelos povos sul-americanos, como o chimarrão, o tereré ou o mate cozido (semelhante a um chá). As origens da erva-mate remontam ao povo indígena guarani (que antigamente estavam presentes no território desde a Amazônia até o Rio da Prata) e sua história é muito antiga.
Acredita-se que o costume de consumir a erva-mate em infusões seja um legado direto do povo guarani que se estabeleceu na região ao longo do tempo, como diz a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Onde e quando a erva-mate começou a ser utilizada?
Como aponta um artigo publicado pelo Ministério da Cultura da Argentina em seu site oficial, os primeiros consumidores (e guardiões) da erva-mate foram os indígenas guarani.
Eles usavam suas folhas como bebida, objeto de adoração e moeda. "Para esses povos, a árvore da erva-mate era, acima de tudo, um presente dos deuses", reconhece a organização argentina.
Segundo a Unesco, é certo que a erva-mate era o elemento-chave da dieta dos guaranis, cuja tribo se estendia pelo território em torno dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai.
Os guaranis usavam uma cabaça para preparar as folhas de erva-mate e as filtravam usando os dentes ou um canudo perfurado (como um antecedente da atual “bombilla”), um tacuapi (cana de bambu) feito de cestaria de tacuara (varas de bambu) como filtro, explica Alejandra Lapietra, uma sommelier argentina especializada em mate em um artigo da National Geographic dos Estados Unidos intitulado “What is yerba mate-and is this caffeinated drink really good for you?” (O que é a erva-mate – essa bebida cafeinada é realmente boa para você?, em tradução livre para o português)
Outros grupos indígenas, como os charrúa do Uruguai e os tupi-guaranis do Brasil, mastigavam as folhas por seus benefícios fitoterápicos.
Quando os missionários jesuítas chegaram ao Paraguai no século 17, proibiram seu consumo por considerá-lo um hábito prejudicial à saúde. No entanto, a proibição terminou por volta de 1630, observa o artigo norte-americano.
A partir de então, acrescenta a Unesco, a extração e a venda da erva-mate tornaram-se uma das principais atividades socioeconômicas da então colônia onde hoje é o Paraguai.
A erva-mate nos dias de hoje
Atualmente, a erva-mate é um produto de grande consumo e que faz parte da cultura e da economia do Paraguai, Brasil, Uruguai e Argentina. No entanto, ela também é buscada em outros países da América Latina e, recentemente, foi exportada para países europeus e asiáticos, de acordo com a Unesco.
A organização destaca que a erva-mate é parte essencial da rotina alimentar das pessoas da região, independentemente de sua classe social e localização no território. Além disso, sua relevância para a população local se reflete em inúmeras manifestações culturais, como músicas, danças, poesias, histórias, mitos e lendas.
História da Erva Mate

No sul do Brasil, a erva mate é mais do que uma simples bebida; ela representa uma tradição rica e culturalmente significativa. A história da erva mate remonta a séculos e está intrinsecamente ligada à cultura gaúcha e ao modo de vida dos povos sul-americanos.

Origem e Cultivo
A erva mate, conhecida cientificamente como Ilex paraguariensis, é uma planta nativa da região subtropical da América do Sul, principalmente do Brasil, Paraguai e Argentina. A tradição de consumir a erva mate remonta aos povos indígenas guaranis, que acreditavam em suas propriedades medicinais e estimulantes.

O cultivo da erva mate requer condições específicas de clima e solo, preferindo locais com boa luminosidade e umidade. As folhas são colhidas e secas para a produção da erva mate, que pode ser consumida pura ou misturada com outros ingredientes, como a erva doce e o boldo. O processo de secagem das folhas é crucial para preservar seus sabores e propriedades.

Benefícios para a Saúde
A erva mate possui uma série de benefícios para a saúde, sendo rica em antioxidantes, vitaminas e minerais. Seu consumo está associado à melhora da digestão, aumento da energia e foco mental. Além disso, a erva mate contém compostos que podem ajudar na redução do colesterol e no combate a inflamações no corpo.

Por ser uma fonte natural de cafeína, a erva mate também pode proporcionar um estímulo semelhante ao café, sem os efeitos colaterais associados ao excesso de cafeína.

Tradição Gaúcha
No Rio Grande do Sul, a erva mate é parte integrante da cultura gaúcha, sendo consumida diariamente em rodas de chimarrão, uma prática social e ritualística. O chimarrão, preparado com água quente e a erva mate, é compartilhado entre amigos e familiares, fortalecendo laços e promovendo momentos de convivência.

A tradição do chimarrão está presente em diversas festividades gaúchas, como o churrasco e as danças típicas. O consumo da erva mate é um símbolo de hospitalidade e acolhimento, refletindo a essência calorosa e comunitária do povo gaúcho.

Processo de Produção
A produção da erva mate envolve várias etapas essenciais que garantem a qualidade e o sabor únicos dessa bebida tradicional.

Colheita e Secagem
A colheita da erva mate geralmente ocorre no inverno, quando as folhas atingem o ponto ideal de maturação. Os ervais são cuidadosamente selecionados para garantir folhas de alta qualidade. Após a colheita, as folhas passam pelo processo de secagem, que pode ser feito de forma tradicional, em secadores a lenha, ou de maneira mais moderna, em estufas controladas. A secagem é crucial para preservar o sabor e as propriedades da erva mate.

Benefícios da Moagem
A etapa de moagem da erva mate é fundamental para a liberação dos sabores e nutrientes presentes nas folhas. A moagem pode ser mais grossa ou mais fina, de acordo com a preferência do consumidor. Quanto mais fina a moagem, mais intensa será a infusão da erva mate. Além disso, a moagem influencia diretamente na textura e no aroma da bebida final.

Tipos de Erva Mate
Existem diferentes tipos de erva mate disponíveis no mercado, cada um com suas características distintas. O tipo mais comum é a erva mate tradicional, que possui um sabor equilibrado e levemente amargo. Já a erva mate tostada passa por um processo de torrefação que confere um sabor mais intenso e adocicado. Há também a erva mate com adição de sabores, como limão ou menta, que proporcionam uma experiência de consumo diferenciada.

Curiosidades e Mitos
No universo da erva mate, além dos processos de produção e consumo, existem curiosidades e mitos que envolvem essa planta tradicional. Vamos explorar alguns aspectos fascinantes que permeiam a cultura da erva mate.

Consumo Tradicional
O consumo da erva mate está profundamente enraizado na cultura sul-americana, especialmente no sul do Brasil, Argentina e Paraguai. É comum encontrar pessoas compartilhando a tradicional cuia de chimarrão, uma prática social que fortalece os laços entre amigos e familiares. O ritual do chimarrão é considerado uma expressão de hospitalidade e amizade, onde a roda do mate promove momentos de convivência e troca de experiências.

Lenda da Erva Mate

A Lenda da Erva Mate remonta a tempos antigos, contando a história mística e simbólica por trás dessa planta. Segundo a lenda, a erva mate foi um presente dos deuses aos povos guaranis, concedendo-lhes energia e sabedoria. A tradição oral transmite a importância da erva mate como um elo entre a natureza e a espiritualidade, atribuindo-lhe propriedades especiais que nutrem o corpo e a alma.

Rituais e Superstições
Além do consumo tradicional, a erva mate está associada a diversos rituais e superstições que permeiam as comunidades que a consomem. Em algumas regiões, a preparação do chimarrão segue regras específicas, como não mexer a bomba após enchê-la ou passar a cuia com a erva mate no sentido anti-horário. Esses rituais são vistos como formas de respeito à tradição e à energia da erva mate.

Você sabia que o chimarrão não é igual em todos os países?
Cada região que cultiva e aprecia a erva-mate tem suas próprias tradições e costumes, o que resulta em sabores e experiências únicas!
Brasil: Nosso chimarrão é conhecido por sua cor verde intensa e sabor mais fresco. A cuia costuma ser maior e a tradição de tomar em roda é muito forte, promovendo a união e a conversa.
Argentina: O mate argentino é famoso por sua cor mais amarelada e sabor levemente amargo. A cuia é menor e a forma de tomar é mais individual.
Uruguai: Muito semelhante ao argentino, o mate uruguaio também apresenta uma cor mais amarelada e sabor amargo. A tradição é bastante similar à da Argentina.
Paraguai: No Paraguai, a erva-mate é utilizada para preparar o tereré, uma bebida gelada que é consumida com água fria e ervas aromáticas. A cuia é maior e a tradição é mais ligada à vida rural.
Além das diferenças na erva e na forma de preparar, cada país tem sua própria cultura em torno do chimarrão. É uma bebida que une as pessoas, conta histórias e faz parte da identidade de cada região.

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Hoje é dia do Compositor Brasileiro

Uma reflexão mais profunda nos leva a meditar sobre inúmeros aspectos: em termos históricos, sociológicos, estéticos, filosóficos.

O compositor é, deste modo, um repositório do seu universo sócio-cultural. Não apenas um reflexo, mas, sobretudo, um co-partícipe. Seja vislumbre, seja intenção, a sua arte antecipa os rumos da sociedade à qual pertence.
Nesse sentido, a música é uma filosofia; é uma linguagem subjetiva e profunda.
Paul Hindemith a ela se refere sabiamente afirmando: "... além de todo o conhecimento racional e de toda a experiência manual, existe uma visionária região de irracionalidade onde moram os supremos segredos da arte..."
Sejam quais forem os aspectos da música, ela é sempre manipuladora das mais íntimas sensações - individuais ou coletivas - e de todo o mecanismo das emoções. Nesse sentido, o compositor avoca uma posição de responsabilidade: a sua música tem o poder de despertar e canalizar energias.
A música eleva, inspira, comove; mas pode, inversamente, deprimir, agitar, conturbar.
Cabe ao compositor traçar caminhos. Sua meta mais sublime será a de despertar os mais nobres sentimentos, depurar as energias humanas, infundir o aprimoramento de seus semelhantes.
E o fará através do domínio da técnica, do estilo, da estética.
Doando a sua obra musical - fruto da criatividade - ao acervo da comunidade,
terá o direito à convicção de ter vivido plenamente e cumprido a sua missão no evoluir da humanidade.
Quando vimos um texto assim, não poderíamos imaginar que o Brasil esteja passando por tanto lixo musical, com composições bizarras, letras pobres, músicas e melodias quadradas. Não sei se devemos comemorar o dia do compositor, pois está, de certa forma ridículo dizer que somos compositores. Se bem que, composição é um termo muito vasto, e na mente de algumas pessoas, que só pensam em imediatismo, é quase que inexistente, basta escrever alguns termos pejorativos e dúbios, escrotando uma melodia pior e pagar os meios para que se tornem sucesso, repentino na verdade, imediatista e sem valor, mas é sucesso.
Parabéns a todos os que ainda escrevem e compõem com a preocupação da obra e da sociedade em que vive.

Origem do Dia do Compositor Brasileiro

Essa data foi criada em 1948 pelo cantor e compositor Herivelto Martins, que integrou a União Brasileira dos Compositores (UBC) na década de 40.

herivelto martins
Herivelto Martins, cantor e compositor

Segundo sua filha, Yaçanã Martins, o pai foi grande incentivador da música brasileira e colaborou grandemente para a valorização dos músicos no país. Ela disse, certa vez:

Ele não só criou a data como fundou a União Brasileira de Compositores e ajudou a regulamentar a profissão. Pixinguinha cruzava com ele na rua e dizia: ‘devo a minha aposentadoria a esse homem’. Ele foi muito importante, foi um grande político sem ser político.

8º Canto Galponeiro de Passo Fundo

O Festival de Música Gaúcha Canto Galponeiro chega a sua oitava edição consolidado, no cenário artístico e cultural do estado e além fronteiras, como um dos festivais mais autênticos do Rio Grande, por trazer em sua essência uma preocupação com a genuína tradição gaúcha, através do apreço à temática regional, com a apresentação de músicas preferencialmente galponeiras.

Pretende-se com isso contribuir para o resgate de uma consciência gaúcha, não só no público adulto, mas também do público infanto-juvenil. Por isso, em 2022, paralelamente ao evento principal, ocorreu a 1ª edição do Festival de Interpretação Piazito Galponeiro, o qual tem como objetivo oportunizar a revelação das potencialidades artísticas e culturais de crianças e adolescentes de Passo Fundo e região, buscando, dessa maneira, manter vivo o gosto pelo nativismo gaúcho e demonstrando emoções que traduzam, em versos, o amor pela nossa cultura e pela nossa terra, conforme almejava o idealizador Adão Cirinei da Cunha.

PROGRAMAÇÃO
QUINTA-FEIRA - 17/10/2024 - Início: 20h
▪ Abertura oficial do Festival
▪ Apresentação das concorrentes da categoria mirim do Piazito Galponeiro
▪ Apresentação das concorrentes fase Local
▪ Show de encerramento - MISSIONEIROS, com Érlon Péricles e Desidério Souza

SEXTA-FEIRA - 18/10/2024 - Início: 20h
▪ Apresentação da categoria juvenil do Piazito Galponeiro
▪ Apresentação das concorrentes da Fase Geral
▪ Show de encerramento com - JORGE GUEDES E FAMÍLIA

SÁBADO - 19/10/2024 - Início: 20h
▪ Reapresentação das ganhadoras do Piazito Galponeiro
▪ Apresentação das Finalistas
▪ Show de encerramento ANTIGOS, com NENITO SARTURI e MIGUEL MARQUES
▪ Entrega da Premiação

O FUNDADOR
 Adão Cirinei da Cunha sempre admirou e vivenciou a cultura gaúcha. Por isso, com muita coragem e determinação, junto dos parceiros que compõem a Associação Amigos do Galpão e apoiadores, idealizou o Festival de Música Gaúcha Canto Galponeiro, que hoje já é referência em nosso estado quando se fala de música autêntica. Apesar da sua partida repentina, em 2021, a família Cunha e amigos, liderados pelos herdeiros desse legado, Fabricio e Francielle Cunha, dão continuidade a esse empreendimento cultural, mantendo viva a memória do nosso eterno patrão em cada acorde musical que ecoa no palco do Gran Palazzo


JURADOS
Antonio Daniel Busch
Poeta, compositor e locutor de rádio, bacharel em Economia, é natural e residente em Passo Fundo/RS. Fundador e idealizador de diversos festivais de música gaúcha.
 
Teixeirinha Filho
Natural de Taquara, é cantor, compositor, produtor cinematográfico, filho do cantor e compositor Teixeirinha. Atualmente está em dupla com o filho, Teixeirinha Neto.
 
Beto Caetano
Nascido em Unistalda, músico, arranjador, fundador do Grupo Som Campeiro, como gaiteiro, trabalhou por 12 anos com José Cláudio Machado.
 
Jaime Brum Carlos
Médico Veterinário, poeta, escritor e declamador. Natural de Cachoeira do Sul, reside atualmente em Restinga Seca/RS.
 
Anahy Guedes
Além de cantora e violonista, é compositora, realiza ao lado da família toda a parte de idealização, produção e realização dos projetos de Jorge Guedes & Família.

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

‘Sentido da primavera’, uma crônica do poeta Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes - crônica

Ao acordar, naquele dia preliminar da Primavera, senti imediatamente que alguma coisa tinha acontecido de muito fundamental na ordem do mundo. Eu, homem de despertar difícil, pulei da cama tão bem-disposto e leve que, por um momento, assustei-me com a sensação indizível que sentia. Ao pegar o copo habitual para a minha água matutina, notei que se achava cheio de uma substância volátil, penetrada de uma linda cor violeta. E não sei por que bebi do copo vazio, estranguladamente, o ar da Primavera, de gosto azul e fragrância fria, com um peso específico de sonho.

Durante alguns minutos nada me aconteceu. Tomei meu café, fumei um cigarro e dei uma olhada nas coisas. Mas de repente senti que em mim a matéria começava a se transformar. Palpitações violentas confrangeram-me o coração e eu mal conseguia respirar. Vi minha filhinha Susana distorcer-se à minha frente como ante um espelho côncavo e logo em seguida penetrou-me um cheiro tão monumental que pensei se me tivesse enlouquecido a imaginação. Era um cheiro de menininha, um cheiro que eu conhecia bem, próprio de minha filha, mistura de talco, suorzinho, lavanda, xixi, sabonete, leite e sono; mas desta vez com uma tal amplitude que eu podia perfeitamente distinguir cada um dos subcheiros da sua composição. No talco, por exemplo, senti um cheiro de polvilho que não o abona, talco tão caro!, e senti também que no leite havia um cheiro de água, o que só vem corroborar a certeza geral de que o leite, nesta cidade do Rio de Janeiro, anda sendo fartamente batizado.

Depois senti milhões de cheiros. Não os descreverei todos para não ferir, com o desagrado de alguns, os ouvidos — diria melhor: os narizes — do leitor mais delicado. Como todo mundo sabe, a praia do Leblon não cheira a rosas — e caiba-me aqui mais uma vez chamar a atenção das autoridades competentes para o crime que é despejarem os esgotos naquelas águas onde se banha o que de mais inocente há no bairro: a criançada rica, remediada e pobre das ruas pavimentadas e da Praia do Pinto. Enfim, estou a fugir do meu assunto, mas valha-me a referência para registrar um cheiro enorme que senti na ocasião: um cheiro de miséria, que só poderia provir da dita Praia do Pinto, lugar, como todo mundo sabe, onde se comprime, em barracões infectos, a mais negra, sórdida e desamparada indigência da zona.

Mas até já ia me esquecendo: senti um cheiro de nazismo, súbito. Ora — direis —, como é esse tal cheiro de nazismo? Reconheço a dificuldade de descrevê-lo em toda a sua complexidade, mas penso que era um cheiro branco, inodoro, perfeitamente ortodoxo, no entanto, com laivos de salsicha, chope e cachorro policial, um cheiro de radiotelegrafia e talvez de cemitério. Não podia, porém, precisar de onde ele vinha, querendo me parecer, sem haver nisso qualquer insinuação, que chegava da rua Visconde de Pirajá, possivelmente, de algum café ou bar, desses onde se reúnem os nazistas conhecidos e desconhecidos que continuam a se aporrinhar mutuamente em grupos, pelos bebedouros de importação germânica que ainda existem nesta cidade hospitaleira.

Tudo isso constituía um fenômeno muito curioso. Os cheiros mais estranhos, os mais perversos, os mais doces, os do amor, os da solidão, perseguiam-me como outros tantos espíritos da Primavera. Um cheiro dolorosíssimo de morte chegou-me ao mesmo tempo que um odor de nascimento. Soube que alguém morria e nascia naquele instante particular do mundo e senti o cheiro da minha vaidade de me saber dono de um tão grande privilégio. Curioso também: só não conseguia sentir bem, em meio àquela sinfonia de cheiros, o aroma das coisas obviamente cheirosas como as flores e as mulheres em geral. O perfume do mar, por exemplo, eu o sentia em toda a sua frescura, verde, salso, infinito, e também o cheiro da areia que por sua vez cheirava a nuvem. Cheiro horrível era o de uma mosca que naquela ocasião voejava à minha volta: bicho imundo! Tive que fugir para a varanda, onde senti o vigoroso cheiro da madeira dos troncos, um rubicundo cheiro de sol e… ah, esses gatos miseráveis! Um dia ainda passo fogo num!

Ao sentir um cheiro de cachaça pensei comigo que meu amigo… (não, não o desmoralizarei) devia estar por perto: e efetivamente, pouco depois chegava ele com um queijo de minas debaixo do braço, cujo cheiro me deu vertigens. Mas eu acho o cheiro de queijo tão bom (contra, bem sei, a opinião de quase todo mundo, que, estou certo, irá rir de mim) que seria capaz de usá-lo no lenço, quando, naturalmente, não houvesse ninguém por perto. Aliás, poderia usar no lenço também cheiro de graxa ou gasolina, cheiro de torrefação de café ou mesmo cheiro de padaria de madrugada, quando o pão é feito.
Tantos cheiros, tantos… O cheiro do teu riso, minha adorada, de tua boca quente e sem malícia. O cheiro de tua pureza, coisa inefável, parecendo sândalo ou alfazema. O cheiro da tua devoção de cada instante, cheirando a alecrim ou mato verde, o cheiro da tua emoção constante, como o da terra viva molhada de chuva…

E depois senti um cheiro de sobrenatural, um gigantesco cheiro de sobrenatural, um cheiro de éter, um cheiro de cristal transparente em vibração, um cheiro de luz antiga, ainda fria dos eternos espaços por onde passara em seu caminho para a Terra. A Primavera cheirava toda para mim, só para mim, desnudada, a dançar na manhã azul perfeita, embriagante, toda olhos claros e sorrisos, a abrir com beijos de brisa a boca infantil das corolas nascituras. E dentro da Primavera senti um cheiro mágico de Paz.

(Novembro de 1944)

– Vinicius de Moraes, no livro “Para uma menina com uma flor”. [organização Eucanaã Ferraz] São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Por Revista Prosa Verso E Arte


QUEM GANHOU E QUEM PERDEU

QUEM GANHOU E QUEM PERDEU - Projeto do Cantor Eri Côrtes Contemplado pela Lei Paulo Gustavo - Lei complementar nº 195/2022 - de São Francisco de Assis - mostra uma síntese do que aconteceu na praça Coronel Manoel Viana em 1923 entre Chimangos e Maragatos - Conta com uma música com letra de Paulo Ricardo Costa e Esduardo Monteiro Marques e música de Eri Côrtes, na Interpretação de Eri Cõrtes e Nilton Ferreira - além da Gaita de Edson Machado e os violões de Halber Lopes. Também tem a Participação de Valdevi Maciel explanando sobre o tema e encenação de Jusselaine Guedes e Bruna Guedes.

Produção e Imagens de PRODUZA Produtora - Material todo gravado em São Francisco de Assis em Março de 2024.









FESTIVAL CANTO E TOSQUIA!

 Mais um Festival de Intepretes chegando, dessa vez em Santana do Livramento, no CTG Sinuelo do Caverá, nos dias 18 de 19 de outubro, com uma vasta programação, oportunizando aos artistas amadores da região com um belo espaço para mostrarem seus talentos e quem sabe, começar ai a caminhar pela estrada da música e da arte regional.

Mais informações nas Redes Sociais do CTG Sinuelo do Caverá ou com meu amigo, grande músico e professor Cristiano Cesarino.

Todos convidados à participar.





FESTIVAL CAMPO ABERTO DE INTERPRETES AMADORES

Dos Objetivos:

Manter a tradição do Grupo de Artes Nativas Campo Aberto em buscar sempre a renovação de valores e promover a interação entre jovens, adolescentes e adultos em prol da cultura regional;
Desenvolver, despertar e cultivar o gosto dos jovens pelos temas regionais, por meio da interpretação vocal e instrumental da música sul rio-grandense;
Buscar e fortalecer nossos valores culturais;
Fomentar a arte nativa e campeira entre os jovens cantores, descobrindo novos talentos e promovendo a renovação no meio musical;
Oportunizar a divulgação musical e as manifestações rio-grandenses, valorizar o gaúcho e seus costumes através de ritmos regionais de reconhecido domínio populares;
Estabelecer intercâmbio artístico, cultural e integração entre intérpretes, instrumentistas no interesse da cultura e da arte gaúcha;
Promover os artistas amadores. Entende-se por amadores, os artistas que não se utilizem da música de forma comercial (shows, discos ou DVDs solo).

Da Organização:
A organização do 5° Festival Campo Aberto de Intérpretes amadores ficará a cargo da Comissão Organizadora nomeada pelo senhor Homero Nunes Machado - Patrão do Grupo de Artes Nativas Campo Aberto através de aprovação em reunião de Patronagem. Tendo por local as dependências da entidade na Rua Paulino Ponsatti 685- Bairro Popular- Bagé RS.

Das Inscrições:
Inscrições até: 15 de outubro de 2024 email:
severinorudesmoreira@hotmail.com
- Serão selecionadas no máximo 10 concorrentes por categoria.
- O evento contará com estrutura de palco, sonorização e iluminação.
- Será exigida a indumentária gaúcha, para intérpretes e músicos.
- Fica limitado o máximo de cinco componentes no palco por música, sendo livre a quantidade de músicas por grupo ou músico individual.
Será realizado no dia 20 de outubro de 2024. Linhas musicais, "Regional Gaúcha, Campeira e Nativista" do Rio Grande do Sul.
A entidade não se responsabiliza por acomodações e não será fornecida alimentação gratuita para os concorrentes, porém haverá alimentação comercializada, no local do evento.
Desde que apresentem temas referentes a cultura gaúcha e estejam devidamente pilchados, poderão participar intérpretes ou músicos de qualquer parte do Brasil e países do Mercosul,

Categorias:
Pré Mirim até 10 anos incompletos, Mirim até 14 anos incompletos, juvenil até 18 anos incompletos, adulto à partir de 18 anos.
- As apresentações serão em data única 20/10/2024 à partir de 08:30 com as seguinte sequencia: Pré-Mirim, Mirim, Juvenil e, Adulto.
- Para efeito de regulamentação da idade de cada categoria, deverá ser comprovada com documento tendo por base o dia de encerramento das inscrições 15/10/2024.

A inscrição é gratuita, e pode ser feita via internet, através do endereço eletrônico severinorudesmoreira@hotmail.com
Documento necessário para a inscrição: RG, ou Certidão de nascimento. Enviar a cópia do documento junto com a inscrição.

Da Participação:
O Participante deverá preencher na íntegra a ficha de inscrição e enviar para o e-mail severinorudesmoreira@hotmail.com
Obs. Uma cópia da letra deverá ser entregue diretamente a Comissão Avaliadora.
A confirmação da inscrição será direto ao email usado pelo concorrente, ou telefone colocado na ficha.
Cada participante poderá inscrever no máximo 01 (uma) música.
Não haverá triagem de musicas, sendo confirmadas as primeiras 10 inscrições por categoria e as demais serão consideradas suplentes.
Os concorrentes não poderão exceder o tempo de 10 (dez) minutos em seu trabalho de palco entre a chamada e a apresentação, sob a pena de perder pontos. (Desconto 01 ponto por minuto excedente).
A apresentação da música, obedecendo ao limite estabelecido, fica a critério do concorrente (instrumental, arranjos, etc.).
O concorrente que não apresentar cópia da letra ou defender a musica através de leitura terá nota zerada em fidelidade ao texto.
Os concorrentes e músicos deverão apresentar-se no palco com indumentárias típicas do Rio Grande do Sul.
Não será permitido apoio vocal.
Não haverá fase classificatória, anunciando a premiação ao final das apresentações do dia.
Ajuste de som fica limitado ao tempo de palco no momento da apresentação. (Reforça-se que ultrapassar o limite de tempo no palco, representa desconto na pontuação final).
Das Vedações:
Fica vetada ao concorrente durante a apresentação, a divulgar patrocinadores e outras manifestações, sob pena de desclassificação.
Intérpretes masculinos e Femininos, de cada faixa etária concorrem em igualdade de condições.
Por se tratar de um festival amador os concorrentes (de menor), deverão estar acompanhados por pai, mãe ou responsável.
Premiações por categoria: Troféus para 1º, 2ª de cada categoria.
Valores por categoria: Primeiro lugar R$ 250,00
Segundo Lugar R$ 150,00
FICHA
NOME:____________________________ NASCIMENTO:__/__/____
CONTATO:_______________________________________________
CATEGORIA:___________________________
CIDADE:________________________________________________
MUSICA:________________________________________________
AUTORES:______________________________________________
Quem quiser pode copiar a ficha e mandar por Watsap para 53 999028350 ou 53997114525

terça-feira, 1 de outubro de 2024

QUEM É ALINE MARTINS LINHARES?

Para muitos eu sei que é apenas a Aline. Para os invejosos vão dizer: nem si quem é, mas para mim, que a conheço desde 2009, quando entrei no Galpão da Poesia Crioula de Santa Maria e ela já fazia parte, onde era apenas uma menina sonhadora, que aprendeu muito cedo a gostar da arte e do verso, vindo a se tornar uma das maiores declamadoras desse estado. E não sou eu que digo, são os prêmios dos festivais.

Não vou falar de todos os prêmios da Aline Martins Linhares, pois precisaria de tempo, mas vou falar da menina/mulher que conheci, que não tínhamos um bom convívio, mas que os anos e o tempo me fizeram conhecer e admirar.

Professora de História, ótima palestrante, falante e boa ouvinte, apaixonada por tudo o que fazes e com uma capacidade impar de ser vencedora. Foi prenda e tem mais faixas em casa do que sapatos (entre faixas e troféus, acaba de alugar outro apartamento só para colocar os prêmios), além de avaliadora, professora de arte declamatória, palestrantes da cultura Rio-grandense, ainda ajuda os que estão começando nessa árdua arte do verso. Agora inventou de escrever poemas e versos para musicar(o que já começa a me preocupar).

Mas na arte declamatória vem deixando um legado muito lindo, com premiação em diversos festivais ou todos que participa e agora nesse final de semana, no mais importante deles, a 26ª Quadra da SESMARIA DA POESIA GAÚCHA de Osório, a Califórnia dos festivais de arte declamatória, que além de vencer com um Poema difícil, SEXTINAS AO PRESENTE CORPO DE PÓ: ETERNO FUTURO do meu amigo Passofundense Alcindo Neckel, que teve como Amadrinhador Clênio Bibiano da Rosa, que também premiou. Ela premiou como melhor declamadora, só corroborando com tudo que já vinha fazendo no meio da arte declamatória do Rio Grande do Sul.

Muitos poemas que estão, hoje, ai pelos palcos dos rodeios ou CTGs, vieram dos festivais na voz da Aline, que começou a ser espelho para essa nova geração de declamadores e até muitos que tem no seu trabalho um exemplo bom a ser seguido nos palcos, pela sua verdade, pela sua postura em palco, pela colocação dos versos, sempre com uma força quando precisa ou uma singeleza quando há necessidade do poema, como é o caso do Poema MEU FILHO MORREU DE FOME do Poeta Carlos Omar Vilella Gomes, que juntos venceram a Carreteada da Poesia de São Valentim, Santa Maria ou PAIXÃO E PEDRA, também do Omar, da 3º Tertúlia da Poesia ou ainda,  A JANELA DO NADA do 15º Bivaque de Campo Bom, também dos versos do Carlos Omar. 
Teria tanto que falar de poemas e poesias, mas como já disse no inicio, ainda não é a Biografia da Aline, esse certamente algum grande escritor já está preparando, porque ela merece.

Parabéns Aline, não só por essa grande premiação, mas por tudo que tu vens fazendo e escrevendo na história cultural não só de Santa Maria, mas de todo o Rio Grande do Sul e nós, teus amigos, que sempre torcemos por ti, te aplaudimos em pé. Que venham muitos outros! E não quis falar de ENART porque acho o Enart  muito pequeno para ti, como sempre te falei e espero que, hoje, tu me entendas. Tem palco e palco, cada um para o tamanho de quem os merece. 
Sucesso sempre!