segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Porque não há riso, nas fotografias?

Paulo Ricardo Costa
Os tempos eram outros, eu sei bem,
mas porque não há riso, nas fotografias?

Seria a dor de um tempo amargo...
Em que a carranca dos homens estampava os medos?
Ou seriam as casas, com suas paredes frias,
Que não tinham espaço para um calor humano?

Quem sabe a morte que rondava os ranchos
e semeava corpos em guerras inúteis...
Que trazia a angústia no destrancar das tramelas,
espichando olhares em ranchos fundos;

As senzalas guardavam fétidas lembranças,
pelas correntes enferrujadas do tempo...
Onde o gemido dos açoites, era ouvido,
na escuridão das noites sem lua e sem estrela,
enraizado nos troncos que prenderam a
rebeldia, no chicote brutal da ignorância;

Porque  não há riso, nas fotografias?
Será porque os Homens eram covardes,
e se escondiam nas suas próprias leis?
famintos, da ira cruel de quem maltrata,
de quem escraviza, de quem mata?
De quem fazia gente de animal...
na brutalidade sórdida, pra sua gana de ateu?

Será que um dia esses Homens riram?
Ou a desgraça que rondava as suas almas,
castigaram-lhes da ausência de um sorriso?
E o poder que as leis, torpes, lhe incumbiram,
trancaram-lhes nas masmorras da dor...
na solidão que saparam os infelizes!

De que valeu tanta riqueza?
De que valeu esse poder?
E que valeu tanta nobreza?
De que valeram as casas grandes,
redecoradas de cristais e prata,
com mesas fartas para alimentar um só;

De que valeram os anéis de ouro?
Os lençóis de seda?
Os lustres polidos?
As estrelas bordadas de um coronel sem tropa?

Talvez, sorrisos fossem metais preciosos,
que olhares pobres não deixavam ver;
Talvez fossem, a joia rara, que o valor
da plata não conseguiu comprar!
Talvez a distância que separava os homens,
era bem maior do que as palavras doces...
E os olhares tesos que enegrecia as cores,
não vislumbravam sonhos pra colorir o tempo;

Porque não há riso, nas fotografias?
Talvez o riso seja a evolução do mundo...
Da modernidade que coloriu retratos,
e fez dos senhores, lembranças antigas,
na vã memória, dessas folhas velhas...
Ou quem sabe os homens descobriram a vida,
que palmeia a paz, num sorriso largo...
E se deram conta que poder e dinheiro,
Não é o suficiente para ser feliz!

Pois o sorriso que os retratos não tinham,
é o sinônimo de uma felicidade nova...
Quando o homem descobriu que a guerra,
só alimenta a estupidez e o ódio...
Que o poder é a infâmia dos fracos,
e que o dinheiro só serve para separar,
aprisionando em grade seres libertos,
e alimentando a falsidade na lei dos infiéis;

Tenho pena desses homens de antigamente,
que retrataram um mundo triste...
Enegrecido na palidez de um retrato,
que a dor do tempo amarelou de vez;
Pois desconheceram a simplicidade da vida,
e o bem maior guardado em nós:
A magia de um sorriso...
Sorriso de quem é feliz!

Fim!

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