quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Um Poeta sem nome!

Ha uns dois anos atrás eu pedi que quem tivesse poesias do CHIQUINHO - Francisco Carlos Sales - e quisesse me mandar, me doar, que gostaríamos de fazer um livro para ele, pois bem, poucas pessoas me mandaram. O Projeto morreu e não consegui muita coisa, pois bem, agora venho novamente pedir quem tiver algum Poema do Chiquinho ou livro com poemas dele, que possa nos doar, para fazermos um acervo, para que sua história não morra. Sei que agora é tarde, que ele não estará aqui para apreciar, mas não podemos deixar morrer sua história.

Sei que isso não é coisa para mim, são para os órgãos competentes, mas eles não fazem, não devemos esperar por eles. Queremos montar um acervo, para que possam conhecer e ou lembrar do Poeta que tanto nos alegrou com seus versos, bem como divulgar sua obra na web.

Se alguém quiser me ajudar, estou a disposição para receber qualquer coisa que tiverem. Ja seu que a Thasea Piga tem algo lá para mim e quem mais tiver eu fico no aguardo.

Foi-me presentado o livro ALVORADA PAMPEANA de 1978 - que me foi presenteado pelo - Mauro Dias - lá de Santo Antonio das Missões. Grácias amigo.

Vou deixar aqui uma poesia, uma autobiografia autêntica, para ver a grandeza e a inteligência Poética.

SEM LENÇO E SEM DOCUMENTO
Francisco Carlos Sales - Chiquinho

Nunca vi rastro de alma,
Nem corpo de lobisomem,
Nunca vi rico usurário...
que desse camisa a um homem,
Nunca vi viúva faceira,
Que gozasse de bom nome,
E nunca vi cachaça braba,
Que cachaceiro não tome.

Nunca vi tatu sem casco,
Nem lagarto de peiteira,
Jacaré de suspensório,
E burro dar pra carreira,
E o Homem que é inteligente,
Não tapa o sol com a peneira.

Extraviei meus documentos,
Mas pra não haver desconfiança,
Me chamo Francisco Carlos,
Poeta por liderança...
Com sessenta e quatro quilos,
Confirma em qualquer balança,
Um metro e setenta e dois...
É o que a minha altura alcança.

Os cabelos acastanhados,
Os olhos também castanhos,
As sobrancelhas fininhas,
Que nem vareta de estanho,
Respiro só numa venta,
Por isso, às vezes, falo fanho,
O nariz torto e quebrado,
Mas porém, desse tamanho.

Lábios finos, queixo longo,
Debaixo uma cicatriz...
Produzida pro um corte,
Que fui eu mesmo que fiz,
O Pescoço fino e comprido,
E meus versos são bem de raiz,
Dois palmos de um ombro a outro,
Isso o documento diz.

Tenho uma perna mais curta,
Rengueio barbaridade,
Ja Deus quis, que eu me quebrasse,
Seja feita a sua vontade.
Embora para caminhar,
Sinta muita dificuldade,
Mas chegarei no fim da cancha,
Com a mesma velocidade.

Nascido lá em Manuel Viana,
No terceiro Franciscano,
A oito de Fevereiro...
No segundo mês do ano,
Na terra onde a areia branca,
Voa ao soprar do Minuano,
Filho de Dona Erondina...
E do velho Inácio Mariano.

Nem sei quem nasceu primeiro,
Se foram os versos ou fui eu,
Só sei que quando eu nasci,
A rima também nasceu.
Por isso eu não acredito,
Poeta mais do que eu,
E quem achar esse documento,
Me entregue porque é meu.

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