terça-feira, 24 de novembro de 2015

Fiscalização proíbe artistas de se apresentarem no Calçadão de Santa Maria


Em dezembro do ano passado, Marcelo Demichelli começou a se apresentar no CentroFoto: Gabriel Haesbaert / Especial

Dois músicos de Santa Maria participaram de um protesto silencioso, na manhã desta terça-feira, no Calçadão. Os dois artistas, costumam ficar diariamente pelo Centro, tocando e cantando canções, para arrecadar dinheiro. O protesto dos dois foi contra a atitude da prefeitura. Fiscais abordaram os dois e avisaram que não poderiam permanecer tocando no local. Como resposta, os músicos ficaram em silêncio, com cartazes colados nos instrumentos musicais.

Um dos artistas, Marcelo Demichelli, pretende arrecadar dinheiro para gravar um CD e quer viver só de música. Há quase um ano ele costuma ir, junto do violão, pelo Centro, onde toca suas música. O outro, Tainan Guazina, além de estudar música na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), explica que se sustenta com o dinheiro que arrecada das apresentações no Calçadão. Ele começou a tocar lá há cerca de seis meses.

– O que nos incomodou foi que os fiscais falaram de um decreto, mas não nos mostraram nada. Fomos até a prefeitura, buscar informações, e quando nos mostraram a gente viu que proibia o comércio, a atividade política... mas não falava de atividade artística – explica Marcelo.

Os músicos explicam que o dinheiro que juntam vem de doações. 
– As pessoas fazem as doações por gentileza, porque querem. Não são obrigadas a nos dar dinheiro – explica Tainan.

O que diz a prefeitura

O superintendente de Fiscalização da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Tiago Candaten, explica que para permanecer no local, os dois precisariam de uma licença, que é expedida pela prefeitura. Para conseguir a licença, teriam de protocolar o pedido por escrito na prefeitura, junto ao gabinete do prefeito. No documento, é preciso explicar os dias, horários e locais que pretendem se apresentar no Centro. A solicitação é analisada, e se for aprovada, o solicitante ganha um documento. 

– Mesmo que não estivessem vendendo nada, eles precisam de uma autorização. E foi isso que os ficais fizeram: perguntaram se tinham autorização e orientaram que fizessem o pedido, mas eles ainda não fizeram – explica o superintendente.

Candaten explica que qualquer outra situação semelhante, quando denunciada, é fiscalizada, como por exemplo quando há pessoas vendendo ingressos de eventos, por exemplo, já que também precisariam de licença da prefeitura.

Fonte: Diário de Santa Maria

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